sábado, 25 de abril de 2015

Tudo que penso sobre o seriado Chapa Quente e resolvi comentar

Chapa Quente – São Gonçalo


Por Matheus Graciano •

“Falem bem ou falem mal, falem de mim”. A frase que está na boca de muita gente é um daqueles ditados populares que me fizeram olhar com mais carinho para o seriado “Chapa Quente”. Como diria o outro, “nunca antes na história” de São Gonçalo tivemos tanta exposição. Tudo bem, não é da melhor forma que sonhamos, mas está lá, a cidade exposta para algumas milhões de pessoas em todo o Brasil.
Há exatos dois anos atrás, publiquei um texto chamado “O Cinturão Fluminense”. Nele, o comentário principal era sobre esse grande “cinturão” que as cidades metropolitanas e bairros da zona norte, oeste e subúrbio do Rio fazem ao redor da região que vai do centro carioca até a Barra, basicamente, o centro financeiro e governamental da ex-capital do Brasil.
Dentre todas as cidades da região metropolitana, São Gonçalo se destaca no cinturão fluminense. O motivo não é nobre, porém explica muito: somos uma cidade decadente. Sim, decadente. Num passado longínquo, entre os anos 30 e 50, a cidade cresceu muito com suas atividades industriais, que deu origem ao nome “Manchester Fluminense”, praticamente triplicando a população de 1940 a 1960. Éramos vizinhos da capital do estado, Niterói, sem falar da capital federal, a cidade do Rio. Com a mudança para Brasília, muita coisa se foi, inclusive o dinheiro. E aquela cidadezinha industrial, com problemas crescentes, continuou a receber gente sem desenvolver sua estrutura. O resultado é o que temos hoje.

Aí, você me pergunta: o que o seriado “Chapa Quente” tem a ver com tudo isso?

Um belo dia, o célebre Agostinho Carrara disse em rede nacional: “eu sou de Alcântara”. O seriado “A Grande Família”, que ficou no ar de 2001 a 2014, inaugurou a face gonçalense na TV. Muita das vezes, Agostinho era o centro da trama, fazendo com que muita gente viesse me perguntar se Alcântara era outra cidade… bem, definitivamente, Alcântara ganhou seu espaço em algumas mentes. Pelo visto, a sacada da equipe do redator Cláudio Paiva foi um teste para o atual Chapa Quente, também assinado por ele.
Agostinho Carrara em Alcântara
Agostinho Carrara (Pedro Cardoso) no dia em que foi à Alcântara da vida real. Fonte: GShow.


Minha impressão é que Paiva percebeu São Gonçalo como o reflexo real do estado do Rio, que talvez reflita também boa parte da realidade social brasileira. Nós temos a estética dos subúrbios, que é bem diferente das “favelas” nos morros, cuja imagem já está gasta, é muito forte, violenta e as pessoas logo pensam no tráfico, na bala perdida e nos demais problemas sociais.
As imagens que temos sobre nós mesmos são muito diferentes. A decadência recente de São Gonçalo ainda vive na memória de muitos. Algumas pessoas ainda se lembram, por exemplo, das transmissões televisivas do baile de carnaval que acontecia no Tamoio. Por outro lado, a geração mais nova, em especial aqueles que já vivem em lugares que cresceram recentemente, com problemas estruturais, vêem a cidade de outra forma. Comparativamente, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, mesmo com tantos problemas na baixada fluminense, saíram do zero, experimentando o crescimento apenas, por mais lento que ele seja.
A crítica dos gonçalenses à estética do Chapa Quente, se justifica pela versão que a produção da TV Globo resolveu retratar. Definitivamente, pegaram um dos piores lados da cidade. Porém, fica a minha dúvida: qual é a São Gonçalo mais verdadeira? A antiga, que vai de Neves ao Centro, o grande Alcântara, os arredores de Itaúna, bairros que beiram a BR-101, Ipiíba, Arsenal e pista da Rodovia Amaral Peixoto ou Jardim Catarina? São muitas cidades! Você conseguiria me responder qual é a cidade real?
Lúcio Mauro Filho, Leandro Hassum e Ingrid Guimarães estrelam a série Chapa Quente. Fonte: Divulgação Tv Globo
Lúcio Mauro Filho, Leandro Hassum e Ingrid Guimarães estrelam a série Chapa Quente. Fonte: Divulgação TV Globo

Minha crítica mais tensa fica sobre a cor dos atores. Todos brancos. São Gonçalo é muito misturado, tal como o Brasil. Se fosse “favela”, iriam colocar todos os negros do elenco global. Sacou o ligeira diferença?
Independente da sua opinião, Chapa Quente vai ajudar a colocar São Gonçalo no mapa. Se nos incomodamos com a visão da TV, cabe a nós melhorarmos a cidade. Somos a 16ª maior cidade do Brasil e a referência de um caldeirão de diferenças sociais. Somos a cidade média reflexo dos problemas cotidianos e, se quisermos, podemos ser um bom exemplo também. A TV já reconheceu nossa importância. Só falta a gente entender isso.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Oferta em Artes Cênicas em São Gonçalo

São Gonçalo, 23 de Abril de 2015

Por Carol Magalhães




Curso com Contribuição Consciente desperta interesse do alunado pelo teatro

O Curso “Nativos Artes Cênicas” oferece mais de 120 vagas direcionadas para os alunos de ensino médio e fundamental das escolas públicas e privadas. A iniciativa é idealizada pelo Projeto Alternativo visando o desenvolvimento do alunado e a criação de uma Escola em Arte Cênicas para o município. Para o Gestor Cultural André Correia além de utilizar técnicas e sistemas inovadores durante as aulas, o formato da “Contribuição Consciente” tem atraído muitos interessados. “Um curso em Artes Cênicas de qualidade custa caro e muitos não podem pagar. O modelo de “Contribuição Consciente” tem conquistado adeptos no mundo inteiro e pode ser a única forma de muitos estarem cursando esta oportunidade de formação.” Defende o coordenador do cruso.
As aulas serão ministradas na Academia Twister no Centro de São Gonçalo. Serão (4) professores distribuídos em (6) grupos, nos turnos da manhã, tarde e noite. Artistas e dançarinos e profissionais do corpo terão oportunidades de ingressarem no curso “Contato Improvisação”, ministrado pelo professor Zé Anderson Hanzen. Além disso, os alunos terão a oportunidade de estudar teatro com os universitários Nicolle Longobardi , Fernando Porto e Silvio Júnior
Para mais informações basta preencher o guia de informações:

Mais Informações:
Telefone: 9-8544-8622
E-mail : nativosg@gmail.com


segunda-feira, 20 de abril de 2015

A Estrada de Ferro Maricá





José Carlos Pelosi



Está começando o asfaltamento das principais ruas e avenidas de Itaipuaçu. Convivendo há tanto tempo com lama e buraco,
a simples presença do betume em nossas portas traz sentimentos de
alegria e espanto. Mas não é a primeira vez que essa chegada do futuro à
região é acompanhada de surpresa. Se agora é o asfalto, no início do
século passado foi a instalação dos trilhos da Estrada de Ferro Maricá
que trouxeram o espanto. Mas a esperança dos trilhos durou pouco: a
preocupação com o lucro para o então recém instalado transporte
rodoviário e para as fábricas de automóveis dizimou o leito ferroviário,
que hoje poderia ser uma atração turística, unindo Neves (São Gonçalo) a
Cabo Frio. Infelizmente, a ignorância e a ganância não permitiram a
convivência entre trilhos e asfalto.


O MATA SAPO

A viagem do primeiro trem foi feita em 10 de junho de 1888, entre as
estações de Neves (São Gonçalo) e Virajalba Rio do Ouro. Logo nos
primeiros meses de funcionamento a composição puxada pela “Maria Fumaça”

trouxe apelidos interessantes que permanecem no jargão ferroviário,
como a expressão “mata-sapos”, que designava os comboios que faziam os
horários noturnos. Até hoje, há uma região próxima a Rio do Ouro, que é
conhecida como “Cala a Boca”, porque ali era o local mais estreito por
onde passava o trem, fazendo com que os passageiros devido ao medo
ficassem calados.

Em 1988, como repórter do Jornal do Brasil,
tive a oportunidade de reviver boa parte dessa história, em relatos de
antigos moradores de locais por onde passavam os trens e descentes de
ferroviários, que se transformaram em matéria publicada na edição do JB
de 5 de setembro de 1988.

O inglês George Bria, de 93 anos, não
ouve mais o apito do trem. Está hoje preso a um leito, doente, assistido
por enfermeiras na Fazenda Boavista, em Jaconé. Perto dali, em outro
leito, repousa o que restou da Estrada de Ferro Maricá, condenada à
morte pelo presidente Jânio Quadros, em 1962, e desativada
definitivamente dois anos mais tarde, no governo do marechal Castelo
Branco. Bria foi diretor da Estrada de Ferro Leopoldina, que
administrava o ramal de Maricá, mas hoje não pode falar por causa da
doença. Pelo velho caminho do trem, no entanto, muita gente ainda
aguarda o som da Maria Fumaça. Se alguém pergunta pela velha ferrovia, a
resposta é ua espécie de esperança: “ela vai vortá?”.
José Carlos Pelosi / JB / 5 setembro 1988

NA TRILHA DA MARIA FUMAÇA

Também em 1988, a matéria foi adaptada para publicação na Revista Duas
Rodas, depois de uma trilha de moto ao longo do que foi o trecho de 157
quilômetros da antiga ferrovia.

O começo da trilha é a estação
inicial da estrada de ferro, em Neves (São Gonçalo), ao lado do
laboratório farmacêutico da Polícia Militar. Quando a estrada de ferro
foi desativada, prometeu-se à população a costrução de um posto de saúde
em seu lugar. Mas, sinal dos tempos de 1964, a estação transformou-se
em um presídio para fins políticos. Atualmente, lá estão sendo
construídos a delegacia e o presídio de Neves, para tristeza de Dona
Felicidade, proprietária do Restaurante Paris, bem em frente. Ela
costumava servir refeições ao chefe da estação. De Neves, o Mata-Sapo –
como era conhecido o trem que ia até Cabo Frio – seguia pela rua Doutor
Jurumenha, onde se podem ver os dois únicos trilhos que ainda restam da
antiga linha, bem em frente ao número 4.613. Pela Av. Maricá, chega-se
até a estação de Raul Veiga. Ela continua preservada em suas cores
oruiginais, azuil e amarela, graças a Antonio Arruda, o antigo segurança
da RFFSA, morador desde 1962.

Vale a pena conhecer um pouco o
Seu Antonio, um paraibano de Campina Grande, “23 filhos e netos de
perder a conta”. O interior da estação – uma casa de cinco quartos –
está repleto de fotografias de Getúlio, Juscelino e Tancredo. Nos fundos
estão a rede de seu Antonio e sua criação de pássaros, onde ele recita
suas poesias sobre os sentimentos humanos, começando pela letra A, indo
até Z. Deixando para trás a estação de Raul Veiga, mais alguns
quilômetros e chega-se à estação de Ipiíba, no Km 19 da Estrada Santa
Isabel, ao lado de uma garagem de ônibus. Dali em frente, pegamos pela
primeira vez um caminho de terra, pela Estrada de Ipiíba. As fazendas
são deslumbrantes. Esse caminho termina já em Rio do Ouro, na Rodovia
Amaral Peixoto, na qual o trem seguia exatamente ao lado, passando pela
Praça de Maricá, onde ficava a estação, até a parada de Manel Ribeiro,
na altura do quilômetro 60. Nesse ponto, o trem entrava à direita para
contornar a Serra de Mato Grosso, onde não há trilhas possíveis nem para
motocicleta. Assim, o jeito é continuar pela Amaral Peixoto e pela
estrada de Ponta Negra, até que esta cruze novamente com o caminho do
trem (exatamente no entroncamento da estrada de Ponta Negra, de asfalto,
com a estrada de Jaconé, de terra.)

O MAR, A FÉ E A VELHA USINA

Pela primeira vez, o mata-sapo está próximo ao mar. Pela trilha de
terra que vai até Sampaio Correia avista-se o campo de golfe de Roberto
Marinho, que ocupa oito quilômetros da Praia de Jaconé. O visual,
principalmente no fim da tarde, é lindo. Um pouco mais adiante está a
pequena igreja de São Pedro, o padroeiro dos pescadores, cuja entrada
principal está voltada para a Lagoa de Jaconé. Essa igreja foi erguida
por uma francesa, em memória de seu filho Reneé de Champs, que morreu no
grande surto de impaludismo na década de 40. Todos os anos, no dia de
São Pedro, a imagem de Nossa Senhora de Nazareth de Saquarema é
carregada em procissão na igrejinha até a divisa dos municípios de
Saquarema e Maricá, no pequeno andor de palha que é guardado até hoje
dentro do templo. Prosseguindo, a trilha volta à rodovia Amaral Peixoto,
passando pelas ruínas de uma antiga usina de açúcar. Pela estrada,
chega-se até o centro de Bacaxá, onde não existe mais a estação. O leito
da estrada segue por Araruama, passa por Iguaba, e chega até São Pedro
da Aldeia, onde a estação, localizada na confluência com o trecho da
estrada que vai para Cabo Frio, chegou a ser utilizada como um pequeno
terminal de ônibus e hoje abriga a sede regional do Iphan. Dali o
destino final é Cabo Frio. Parte da antiga estação está em frente à área
do Camping Clube de Cabo Frio.
Revista Duas Rodas/1988

Nota
da Redação: As entrevistas e roteiros publicados aqui são do ano de
1988. Vinte e cinco anos depois, é claro, alguns dos citados e
entrevistados não vivem mais. Também lugarejos, estações e propriedades
foram modificados. Porém, a Estrada de Ferro Maricá é uma lenda viva e
seus trilhos, com imaginação, e baseando-se nestes relatos, podem e
devem ser revisitados.

http://www.acheirevista.com.br/se…/estradadeferromarica.html




(2) Facebook

Ser Escritor Requer Investimento


Quando decidimos escrever profissionalmente, devemos compreender que o que iremos gastar vai muito além do tempo e dedicação. Precisamos estudar, nos especializar, colher informações, trocar conhecimento com outros profissionais, entre outras coisas necessárias para fazer com que o nosso acervo textual ganhe boa atenção dos futuros leitores.
O montante de obras e textos que você produz precisam passar ser registrados para preservar sua autenticidade. Isso leva um custo para impressão, encadernação e envio na Biblioteca Nacional. Seus textos também precisam depois passar por uma revisão profissional que pode ser feito por um professor, revisor ou até por você mesmo, se estiver preparado e seguro.
A não ser que você saiba fazer serviços gráficos, você também terá que pagar um profissional para diagramar e fazer as artes gráficas de seus livros, e também os registros de ISBN, Ficha Catalográfica e Código de Barras, que também podem ser feitos na gráfica. Enfim, tudo isso envolve profissionais dedicados.
E depois do livro pronto, você precisa correr atrás da divulgação, que pode ser feita com um publicitário, um jornalista ou por você mesmo, cuidando e administrando todo o processo de apresentação, inserção e divulgação de sua biografia, trabalho e acervo literário.

Acredite em seu trabalho e faça valer todo o seu esforço quando for convidado para fazer qualquer serviço literário de graça.

Leo Vieira

Conheça mais sobre o Leo Terário e o projeto de incentivo à leitura "Leia + Livros" na página "Antro Literário".


® Leo Vieira- Direitos Reservados
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