quinta-feira, 4 de abril de 2013

Prefeito Joaquim Lavoura


Alexandre Martins

Joaquim de Almeida Lavoura nasceu no bairro Caju, no Rio de Janeiro, em 4 de abril de 1913, filho de José Marques de Almeida e de Maria Cândida de Almeida.
Aos sete anos ficou órfão de mãe e seu pai decidiu se mudar com toda família para São Gonçalo, no bairro Gradim. Apenas com a Quarta Série do Ensino Fundamental, cursados em uma escola estadual, sempre ajudou economicamente sua família. De início como pescador, depois como catador de lenha e ainda como trabalhador em uma fábrica de conserva de peixes.
Lavoura optou por alterar seu sobrenome aos 21 anos de idade. “Foi uma particularidade porque o nome dele era Joaquim Marques de Almeida, mas requereu ao juiz a mudança para Joaquim da Almeida Lavoura, adquirindo o nome da avó paterna”, segundo o jornalista Rujany Martins.
Na idade adulta, passou a trabalhar no comércio, no bairro Porto Velho. Foi aí que ingressou na política, apoiado por um grupo de estudantes. Com seu carisma, conseguiu alcançar muitas pessoas e se tornou uma liderança de bairro logo cedo. Através da defesa forte e segura dos pescadores do Gradim e da população humilde do Quarto Distrito da cidade (Neves) estreou na Câmara de Vereadores, em 1947 (mandato 1947-1950) e novamente no mandato 1951-1954.
Em 1950, Joaquim Lavoura começou a preparar as bases para a realização do seu maior sonho, que era ser prefeito.
Mesmo não contando com o apoio das elites que estavam no comando, Lavoura mais uma vez surpreendeu, concorrendo à prefeitura em 1954 pelo PTN (Partido Trabalhista Nacional) e sendo eleito (mandato 1955-1959). Fez uma campanha onde se apresentava em cima de um trator rodeado de trabalhadores portando pás e picaretas. Seu slogan era: ‘Com trabalho há progresso’. Já no primeiro governo promoveu uma verdadeira revolução administrativa no município, marcando de vez seu nome na história da cidade. “Foi a partir dele que o município começou a crescer. Ele abriu escolas, hospitais e iniciou o sentimento de cidade com futuro”, destacou o jornalista Pereira da Silva, integrante da Comissão.
Lavoura, ao se eleger prefeito, retirou as linhas de bondes, alargou as passagens e promoveu os calçamentos do Porto Velho e Sete Pontes, vias principais de ligação de São Gonçalo com o município vizinho de Niterói. Era comum encontrá-lo, na direção de tratores e escavadeiras e utilizando pás.
Passou a controlar a frota de veículos da municipalidade. Comprou máquinas pesadas, retroescavadeiras, máquinas patrol e viaturas de transporte. Comprou e instalou a Usina de Asfalto e a Fábrica de Artefatos de Cimentos (manilhas e meio-fios). Construiu estradas e pontes, visando o escoamento das produções agrícola, pecuária, comercial e industrial.
Modernizou o Hospital Luiz Palmier e construiu o Pronto Socorro Infantil "Darcy Vargas". Instalou e equipou centros cirúrgicos e os laboratórios, adquirindo modernas ambulâncias.
Seus seguidores1, chamados “Grupo Lavoura”, fizeram também grandes atuações na cidade, como na Educação, construindo o Colégio Municipal Presidente Castelo Branco (em 31 de março de 1970, na gestão do prefeito Osmar Leitão Rosa); o Colégio Municipal Ernani Faria (Lavoura/Zeyr Porto), e o Centro Cultural Joaquim Lavoura (Governo Hairson Monteiro).
Sendo novamente prefeito em 1962 (mandato 1963-1967), foi Superintendente do Serviço de Transportes-RJ, em 1967, nomeado pelo então governador Geremias de Mattos Fontes.
Chegou até a Assembléia Legislativa do Estado, sendo deputado estadual em 1970 (mandato 1971-1973).
Joaquim de Almeida Lavoura ocupou posição central no cenário político gonçalense de 1955 a 1975. Consolidou-se como principal liderança política municipal da segunda metade do século XX. Sua bem sucedida trajetória engendrou um processo de mitificação do nome Lavoura e de sua prática política, o “Lavourismo”.
O nome Lavoura permite a compreensão de um universo político complexo na São Gonçalo da segunda metade do século XX, que vem sendo apresentado nos depoimentos dos seus antigos colaboradores. Neste contexto, esta liderança deve ser entendida como o político profissional, que constrói sua prática política e imagem pública com grande habilidade. Deste modo, em muitos aspectos, a compreensão do que o município de São Gonçalo é hoje remete às transformações engendradas neste período e, logicamente, remetem a Joaquim Lavoura.
O seu terceiro mandato de prefeito veio em 1973, durando até sua morte em 1975, assumindo em seu lugar o vice-prefeito Zeyr de Souza Porto. “Ele não admitia área de conforto à base de sustentação governista. Sempre conseguia maioria na Câmara Municipal, porém, com pouca diferença e sem pulverizar a oposição. Isso para, justamente, fazer os parlamentares de apoio se articularem mais” segundo o ex-prefeito de São Gonçalo (1967-71) Osmar Leitão Rosa.
O estilo político de Joaquim Lavoura o consolidou como uma liderança no Estado. “Houve uma eleição que dois deputados federais e cinco estaduais do grupo dele foram conduzidos à vitória. Até hoje, não me lembro de algo parecido”, segundo Josias Ávila, ex-deputado estadual.
Conheci Lavoura em 1963, quando trabalhava em um jornal carioca e me mandaram entrevistá-lo. Eu o encontrei em cima de uma reto-escavadeira no bairro Patronato, retirando lama das ruas. Surgiu uma boa amizade e depois terminei por fazer o cerimonial de sua morte, quando milhares de pessoas o acompanharam a pé, até a sua derradeira morada, no Cemitério de São Gonçalo, em seu mausoléu.
Uma boa lembrança que tenho de Lavoura, é a de quando tomávamos cafezinho na madrugada, em um bar na esquina da entrada do bairro Covanca. Depois, ele mandava seu motorista levar-me em casa”. - relata o jornalista Assueres Barbosa

Vítima de complicações pulmonares, faleceu no dia 12 de novembro de 1975, aos 62 anos. Mais de 10 000 pessoas assistiram ao seu funeral no Cemitério de São Gonçalo, onde está seu mausoléu.
O deputado José Luiz Nanci discursou2 na ALERJ sobre Lavoura:
Boa tarde senhor presidente, deputados e deputadas
Ocupo hoje esta tribuna para falar do ex-prefeito de São Gonçalo Joaquim de Almeida Lavoura, que se estivesse vivo completaria 100 anos no próximo dia 4 de abril. Homem de origem simples, ele fixou raízes em meu querido município e se destacou nas atividades políticas e humanitárias.
Para celebrar e marcar o centenário de nascimento de Joaquim Lavoura, foi criada uma Comissão Especial, presidida pelo professor Frederico Carvalho. A Presidência de Honra (In Memoriam) da Comissão foi atribuída ao também ex-prefeito Hairson Monteiro, que também já foi deputado nesta Casa.
A Comissão elaborou uma vasta programação para comemorar o Centenário de Joaquim Lavoura. Em boa hora, o prefeito Neilton Mulin baixou um decreto declarando 2013 como o Ano do Centenário de Nascimento do Prefeito Joaquim Lavoura. Uma justa homenagem. A Câmara Municipal também está participando desses festejos.
Da mesma forma, diversas entidades da sociedade estão apoiando a iniciativa, como o Rotary Clube e o Lions Clube, a Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências, entre muitas outras.
Trago esses eventos ao conhecimento de todos porque Joaquim de Almeida Lavoura também integrou esta Casa, de 1971 a 1973, e merece ser cultuado pela sua história.
Morreu em 1975, pobre, sem acumular riquezas, se mostrando um grande homem, ícone de honestidade e trabalho. Até hoje, seu nome é lembrado e suas ações são engrandecidas.
Obrigado a todos!”

O político do cigarro de palha e do chapéu, mostrando seu poderio político, elegeu membros do Grupo Lavoura, como Geremias de Mattos Fontes (prefeito em 1958/1962) e Osmar Leitão Rosa (prefeito em 1966/!970). Isso sem falar em deputados federais, estaduais e vereadores.
Joaquim Lavoura foi citado pela revista norte-americana Times, como um dos melhores administradores de cidades no Mundo.3





1- Seguindo a trajetória de do prefeito Joaquim Lavoura, podem ser citados nomes de políticos com brilhantes carreiras em São Gonçalo, o chamado “Grupo Joaquim Lavoura”, como: Geremias de Mattos Fontes - vereador, prefeito, deputado federal e governador do Estado do Rio; Osmar Leitão Rosa - vereador, prefeito e deputado federal; Hairson Monteiro dos Santos - vereador, prefeito e deputado estadual; Zeyr de Souza Porto - vereador, prefeito e deputado estadual; Josias Ávila Júnior - deputado estadual; Ayrton Rachid - vereador e deputado estadual; Antonio Maia - vice-prefeito
2- quinta-feira, 28 de março de 2013
3- revista “Veja” - 19/11/ 1975, n.° 376, pág; 113

terça-feira, 2 de abril de 2013

Que Título Darei ao Meu Livro?

Leo Vieira

O que fazer quando a sua ideia está bem elaborada, virou um bom texto, porém o título provisório ainda não fechou bem com toda a obra? Isso não acontece somente com nós, mas também com muitos escritores conhecidos.
Não se preocupe com títulos simples, como "O Jardineiro", "A Guerra", "O Paraíso", porque esses tipos são fáceis de marcar. Você também pode se aprofundar e ser mais ousado e criativo, como "Entre Gramas e Rastros", "Despojo de Saudade", "Passaporte para o Infinito". Perceba que esses títulos são os mesmos citados antes, respectivamente, porém foram mais incrementados.
Se você faz opção pelo primeiro exemplo de título, não se preocupe se alguém já escreveu antes ou se será plagiado, porque nessa situação é muito natural vários livros terem o mesmo título. O que vai distinguir os livros com o mesmo título é o ISBN (International Standard Book Number), que é o identificador do livro para o leitor, editora e livraria. Na Biblioteca Nacional, alguns livros nem mesmo título tem. São registrados e definidos com o nome do autor e a data de registro.
Mas nunca se prenda ao título para construir o seu livro. E se, por acaso, a história tomar outro rumo, obrigando a descartar o título original, não se preocupe. Deixe a história te guiar que logo um título mais conveniente irá lhe aparecer.
Pra encerrar, deixo uma breve crônica: Um barbeiro estava cortando o cabelo de um conhecido escritor e o profissional aproveitou a situação para falar de um livro escrito que mantinha engavetado há anos porque faltava apenas colocar um título apropriado. O escritor já estava impaciente com as lamúrias do barbeiro e não estava interessado em ajudar a batizar a literatura, porque teria que ouvir sobre a mesma. Logo, ele tratou de questionar:
- O seu livro fala de cornetas?- pergunta o escritor.
- Não!- responde o barbeiro.
- O seu livro fala de tambores?- pergunta o escritor.
- Também não. O tema é bem diferente.- resmunga o barbeiro.
- Então; está aí um bom título: "Nem Cornetas, Nem Tambores."

Leo Vieira é secretário da Sociedade de Artes e Letras de São Gonçalo (SAL) 
autor do livro "Alecognição", aventura gonçalense publicada pela Editora Lexia.
Escritor acadêmico em mais 27 Academias e Associações literárias; 
ator; professor; Comendador; 
Delegado Cultural em duas cidades e Doutor em Teologia e Literatura.




Reinventando com Literatura Fantástica


Ultimamente, na Literatura e nos cinemas (onde é muito mais evidente) a literatura fantástica está tomando espaço no reinvento de remake de muitos enredos do passado.
Isso está cada vez mais comum em um mercado onde a criatividade parece estar um tanto quanto saturada e o público busca mais uma novidade mais visual. Infelizmente, nos livros se tem visto isso também, cujo títulos embarcam na onda de outros livros mais populares. Até mesmo o "50 Tons de Cinza", de E.L. James, ganhou versões semelhantes no mesmo gênero e enredo. A série Crepúsculo, de Stephenie Meyer, também deu uma cria imensa, com direito a prateleira própria reservada para temas vampirescos em diversas livrarias.
No cinema, a aposta para aproveitar um tema com mais criatividade é apelar para a literatura fantástica. Um exemplo muito claro é "Avatar", de James Cameron. Ao analisar o roteiro, vemos que não tem nada de original. É a mesma história de "O Último dos Moicanos", "Dança com Lobos" e "O Último Samurai". Um personagem se infiltra com uma tribo inimiga e acaba se voltando contra os seus compatriotas. No caso do "Avatar" apenas incrementaram com uma vasta tecnologia e surrealidade, transformando a ideia original (tribo indígena), por uma tribo alienígena em um planeta distante.
Star Wars é uma história de faroeste no espaço, Star Trek é uma história de expedição também com o espaço como cenário. O esqueleto é o mesmo, porém a inserção  de vísceras para sustentar o corpo da história é diferente. Mas no aspecto comparativo são todos iguais. A criatividade do autor que vai diferenciar.
Compare os detetives da literatura. Existem vários. Mas também parece que todos são muito diferentes. Isso porque cada autor procura se atentar às semelhanças literárias e focar o seu estilo na construção das obras. O americano Robert Langdon (de Dan Brown) e o português Tomás Noronha (de José Rodrigues dos Santos) são personagens extremamente parecidos. Ambos são professores universitários e sempre são convidados para solucionar enigmas, que acabam tomando proporções no nível de Indiana Jones. Porém a grande diferença deles estão no estilo literário. Enquanto Robert Langdon é narrado por diversos labirintos e um desfile de curiosidades durante o decorrer das páginas, Tomás Noronha atravessa a aventura em uma narrativa mais verossímil, com aspecto de texto de reportagem jornalística, fazendo o leitor até mesmo acreditar em certos pontos da ficção.

Ao aproveitar uma ideia já conhecida, estude e pesquise muito. A receita do bolo é a mesma, porém a sua habilidade que tornará o quitute mais especial. Tenha boa dosagem ao confeitar a escrita para garantir bom apetite na leitura!


Leo Vieira é secretário da Sociedade de Artes e Letras de São Gonçalo (SAL) e autor do livro "Alecognição", aventura gonçalense publicada pela Editora Lexia.
Escritor acadêmico em mais 27 Academias e Associações literárias; ator; professor; Comendador; Delegado Cultural em duas cidades e Doutor em Teologia e Literatura.

Comparando e Mesclando Romance Comum com Literatura Fantástica


Acompanhamos dicas sobre a diferença na hora de elaborar uma literatura fantástica. Agora vamos voltar e analisar mais detalhes para usufruir da qualidade da aventura.
Muito cuidado na hora de descrever os personagens fantásticos. O escritor deve sempre fazer com que o leitor seja cúmplice das emoções dos personagens e nunca do narrador. Descrever um fantasma é um balde de água fria no clímax da leitura. É muito mais emocionante o leitor deduzir um fantasma através da emoção do personagem. O autor deve esculpir os personagens e ilustrar as cenas com as palavras.
Lembre-se que em seus livros, Monteiro Lobato nunca descreveu que a Cuca era uma jacaré-fêmea; apenas que ela era uma bruxa que se parecia com um jacaré. Já as crianças do livro achavam que era uma jacaré-fêmea que se parecia com uma bruxa.
Outro exemplo está na série Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Por estar narrado em primeira pessoa, e a obra toda ser sob a perspectiva da donzela, a obra consegue dosar muito bem da surrealidade. Em muitos momentos, dá a entender que Bella está vivendo em um longo sonho (ou pesadelo).
A história é original? É claro que não! É somente mais uma história de amor dividido. A Donzela indecisa sobre o Playboy e o Plebeu.
Talvez até seria a excentricidade da família de Edward que fizesse pensar que todos eles fossem vampiros, assim como o vigor atlético de Jacob em seu estilo rústico na vida do campo, que o faça pensar que ele seja um lobisomem e pertença a uma matilha.
Viajou com essa refutação? Então; é assim que você deve fazer para conduzir seus leitores nas viagens literárias.

Nunca se esqueça que se você inserir uma criatura bizarra do nada na história, você terá que se esforçar e contar sem pressa como aquele bicho foi para ali. E mais; a criatura precisa ter um motivo para estar naquela história. Cuidado com a poluição literária. Literatura Fantástica NÃO é Literatura Ilógica.


Leo Vieira é secretário da Sociedade de Artes e Letras de São Gonçalo (SAL) e autor do livro "Alecognição", aventura gonçalense publicada pela Editora Lexia.
Escritor acadêmico em mais 27 Academias e Associações literárias; ator; professor; Comendador; Delegado Cultural em duas cidades e Doutor em Teologia e Literatura.



É o Momento Certo para Escrever Literatura Fantástica?


Muitos leitores e escritores ficam motivados para o momento ideal de construir aquela ideia, até transformá-la de vez em uma ficção de qualidade. Não basta apenas isso. É preciso também saber desenvolver o enredo e personagens a ponto de deixá-los aceitáveis e verossímeis para os próximos leitores.
A Literatura Fantástica está tomando forma e espaço ao longo dos anos, mas isso não significa que o inventável pode ser colocado na realidade da história através das páginas com pouco preparamento. É necessário uma análise mais racional para que a mente não devaneie demais, fazendo o autor liberar coisas escabrosas, ferindo a história por completo. Literatura fantástica não significa escrever absurdos. Devemos ousar na criatividade, porém ter mais controle no que se for criar seja realmente necessário, sem perder o contexto.
Ao desenvolver personagens exóticos, seja prudente nas características, assim como nos cenários. Se for criar um completamente original, tenha uma base em sua estrutura, respeitando as coordenadas. Não crie cenários inconstantes, nem mesmo personagens sem nexo com a história, ou que se percam nos propósitos durante os capítulos. Uma história de Literatura Fantástica precisa ter início, meio e fim, assim como todos os gêneros. Outro ponto essencial é: será que realmente o enredo exige cenário e personagens excêntricos?


Leo Vieira é secretário da Sociedade de Artes e Letras de São Gonçalo (SAL) e autor do livro "Alecognição", aventura gonçalense publicada pela Editora Lexia.
Escritor acadêmico em mais 27 Academias e Associações literárias; ator; professor; Comendador; Delegado Cultural em duas cidades e Doutor em Teologia e Literatura.

Reunião de Abril


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...