sábado, 14 de fevereiro de 2015

O culto do multiculturalismo





 
Rodrigo Constantino
 

“Uma cultura só tem importância se for boa para os indivíduos”. (Kwame Anthony Appiah)


Uma das maiores ameaças à liberdade
individual atualmente encontra-se no culto do multiculturalismo. Vários
autores notaram este risco, entre eles Thomas Sowell, da Escola de
Chicago. Em sua coletânea de textos Barbarians Inside the Gates,
Sowell lembra que o mundo sempre foi multicultural, por séculos antes
de o termo ser cunhado. Tratava-se de um multiculturalismo num sentido
prático, diretamente oposto ao que o atual culto dos relativistas
culturais prega. Como exemplos, Sowell lembra que o papel onde seu livro
foi escrito fora inventado na China, as letras vieram da Roma antiga e
os números da Índia, através dos árabes. O autor é um descendente da
África, que escrevia enquanto escutava música de um compositor russo.
A razão pela qual tantas coisas se
disseminam pelo mundo todo está no simples fato de que algumas coisas
são consideradas melhores que outras, e as pessoas desejam o melhor para
si. Esta obviedade é justamente o contrário do que o credo do
multiculturalismo atual defende, alegando que nada é melhor ou pior, mas
“apenas diferente”. Na verdade, as pessoas mundo afora não apenas
“celebram a diversidade”, elas escolhem aquilo de sua própria cultura
que desejam manter e aquilo que preferem abandonar em prol de algo
melhor vindo de fora. Quando os índios americanos, por exemplo, viram os
cavalos dos europeus, eles não se limitaram a “celebrar a diferença”,
eles começaram a montar em vez de ir andando. À contramão do que o culto
do multiculturalismo defende, as pessoas não buscam viver “em harmonia
com a natureza”, e sim obter o melhor que puderem. Eis o motivo pelo
qual, desde automóveis até antibióticos, os bens demandados se
espalharam pelo mundo. Não importa o que os filósofos do
multiculturalismo dizem, é isso que milhões de pessoas fazem.
Para Sowell, este tipo de
multiculturalismo moderno é uma dessas afetações que algumas pessoas
podem se dar ao luxo de ter enquanto estão usufruindo de todos os frutos
da tecnologia moderna. Normalmente não são pessoas pobres vivendo em
países muito atrasados que bradam sobre as “maravilhas” das diferentes
culturas. São “intelectuais” de países desenvolvidos que olham com
desdém para os processos que tornam possível a produção de todo tipo de
conforto que desfrutam.
Uma cultura é, segundo a definição da Enciclopédia Britânica,
um padrão integrado de conhecimento humano, crenças e comportamentos
que são resultados da capacidade humana de aprendizagem e transmissão de
conhecimento para as gerações seguintes. Cultura consiste então em
língua, idéias, crenças, costumes, códigos de conduta, instituições,
ferramentas, técnicas, rituais, arte, símbolos etc. A cultura de um povo
pode evoluir com o tempo. Cultura se aprende. Os relativistas culturais
tentam logo acusar de “nazistas” aqueles que conseguem enxergar
objetivamente instituições e costumes superiores – ignorando que Hitler
falava em superioridade racial dos arianos, algo que seria inato, não
aprendido. O conceito de raça humana sequer faz muito sentido. Já
estoque de conhecimento, instituições, valores e avanços não só existem e
variam muito de cultura para cultura, como uns são bastante superiores a
outros. Ou será que alguém realmente acredita que a cultura da Suíça é
apenas “diferente” daquela existente no Zimbábue, e não melhor? Será que
os costumes de sacrifício infantil praticados pelos incas seriam
atualmente vistos como “apenas diferentes” pelos relativistas culturais?
Como conciliar isso com a demanda por um código de direitos humanos
universais?
Algo inerente aos relativistas culturais,
pelo fator contraditório de suas crenças, é o constante uso de dois
pesos e duas medidas. Ao mesmo tempo em que relativizam todas as
barbaridades provenientes da cultura atrasada que pretendem defender,
esquecem o relativismo e partem para a objetividade de julgamento na
hora de condenar as culturas que detestam – normalmente as mais
avançadas e livres. Assim, cortar o clitóris passa a ser apenas uma
“diferença cultural”, como colocar um brinco na filha. Mas o
“consumismo” ocidental é algo podre, que deve ser combatido, e não
apenas uma “diferença” de valores. Uma cultura que prega a morte de
“infiéis” é apenas uma cultura “diferente”, enquanto se um país for se
defender dessa ameaça, sua “cultura belicosa” passa a ser repugnante. Os
relativistas fingem não perceber que se “tudo vale”, porque nenhuma
cultura é superior a outra, então um povo pode alegar ter como valor
supremo em sua cultura o extermínio de outras culturas. Com qual
critério objetivo um relativista consegue julgar algo, se tudo não passa
de “diferenças culturais”? Quando os relativistas culturais alegam, por
exemplo, que nenhuma cultura está num estágio inferior e que seus
costumes são “apenas diferentes”, estão sendo coniventes com a prática
nefasta de matar por apedrejamento uma mulher cujo único “crime” foi ter
cometido adultério. Queiram ou não, o fato é que os adeptos desse culto
do multiculturalismo são cúmplices dessas barbaridades.
O filósofo Kwame Anthony Appiah explicou
de forma bastante objetiva os riscos da visão coletivista da cultura, em
detrimento ao direito de livre escolha individual. O autor, nascido em
Gana, é Ph.D. pela Universidade de Cambridge e lecionou em Harvard e
Princeton, além de autor do livro Cosmopolitanism, onde defende que a
globalização fez bem às culturas regionais. A globalização não
uniformiza, diversifica. A reclusão é que exaure a inspiração. Culturas
fechadas estão fadadas ao insucesso. Basta comparar a diversidade nos
Estados Unidos, com inúmeras culturas diferentes convivendo lado a lado,
com a maior homogeneização de uma Coréia do Norte, isolada do mundo.
A população deve ter a liberdade de
escolha de quais produtos culturais deseja consumir. Appiah dá o exemplo
das camisetas que os africanos usam, deixando de lado suas roupas
coloridas tradicionais. Se as camisetas cumprem a função de cobrir o
corpo e são mais baratas, que mal há em deixar as vestes tradicionais
para ocasiões especiais apenas? Tirar o direito de escolha dos
indivíduos em nome da “preservação cultural” beira o desumano, e
normalmente quem pensa assim está longe, no conforto justamente de
culturas mais liberais. O mesmo vale para o resto dos produtos
existentes. Os indivíduos devem ser livres para decidir qual filme
desejam assistir, quais músicas querem escutar ou qual comida pretendem
comer. Quanto mais liberdade de mercado, com abertura para diferentes
países e culturas, maior o número de opções disponíveis. Appiah chama de
“preservacionistas culturais” aquelas pessoas com bom padrão de vida em
algum país ocidental, normalmente, que olham para as culturas
diferentes e exóticas como algo interessante, bonito, que deveriam ser
mantidas para sempre da mesma forma. Mas, como Appiah diz, “se o costume
é ruim para o bem-estar de uma grande parcela daquela população, o fato
de fazer parte da cultura não é motivo para insistir no erro”.
O foco deve ser o indivíduo e sua
liberdade de escolha, não a tribo, a nação ou a cultura. A cultura não é
um fim em si, mas um meio para a felicidade dos indivíduos. E cada um
deve ser livre para escolher como quer buscar sua felicidade. Eis
justamente o que o culto do multiculturalismo deseja impedir.

Texto presente em “Uma luz na escuridão”, minha coletânea de resenhas de 2008.




O culto do multiculturalismo | Rodrigo Constantino - VEJA.com

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O que falta ao mercado de quadrinhos no Brasil

Um dos mais famosos quadrinistas brasileiros,
Marcello Quintanilha, defende a volta das revistas comerciais, críticos
mais analíticos e um esforço maior dos artistas em atrair público




Marcello Quintanilla (Foto: Divulgação)
Marcelo Quintanilha
Unir suspense, diálogos coloquiais, tipos populares em uma arte - e traço - extremamente realistas fez de Tungstênio um dos HQs mais bem avaliados de 2014 no Brasil e no exterior. Trata-se da primeira graphic novel
de Marcello Quintanilha, um dos mais famosos quadrinistas brasileiros.
Ele, que vive na Espanha desde o início dos anos 90, quando foi ser
colaborador de uma revista belga, gosta mesmo de retratar o cotidiano
brasileiro. Gosta dos sem-grana, do ex-sargento de Salvador, dos amores
do subúrbio e do motorista do busão. "Todo o meu universo temático diz
respeito exclusivamente à vida que eu conheci no Brasil".

Nascido em Niterói, em 1971, Quintanilha começou a carreira em 1988,
ilustrando revistas de terror e artes marciais, vendidas a preços
populares em bancas. Seu primeiro trabalho autoral é de 1991, chamado
"Acomodados! Acomodados!". A história venceu a 1ª Bienal de Quadrinhos
do Rio de Janeiro naquele ano. Obteve maior visibilidade e alcançou mais
leitores com a publicação do livro Sábado dos Meus Amores. Depois, ilustrou a seção de quadrinhos e crônicas do jornal O Estado de S. Paulo, e a adaptação do clássico de Raúl Pompeia, O Ateneu, até ir morar em Barcelona e, de lá, também colaborar com publicações como o El País e a revista La Vanguardia.

Ao mesmo tempo em que sua carreira sobreviveu a momentos duríssimos do
mercado de quadrinhos brasileiro no final dos anos 80, ela também lhe
trouxe a chance de  ter contato lá fora com o que há de melhor nas
gibiterias espanholas e lojas europeias. Nos últimos anos, seus
trabalhos ganharam força no mercado brasileiro, que cresceu, evoluiu e
hoje conta com editoras especializadas, eventos gigantescos e um público
que extrapolou os pequenos nichos. Mas o Brasil ainda caminha devagar.



Para Quintanilha, o boom atual dos quadrinhos por aqui não é
necessariamente um sinal de que o mercado se fortaleceu. "A consolidação
dependerá do quanto os produtores serão capazes de ampliar a parcela do
público interessada em quadrinhos e do quão capazes seremos nós,
artistas, de conquistar novos públicos", afirmou. Em entrevista à Época
NEGÓCIOS, Quintanilha comenta sobre a evolução gráfica e comercial dos
quadrinhos brasileiros, de que forma a decadência das bancas afeta esse
mercado e como é seu processo criativo:

Como você analisa a cena atual do mercado de quadrinhos no Brasil? 

Vejo hoje uma multiplicação de publicações que não chegava nem perto de
quando comecei. Quando comecei, esse mercado vinha de um refluxo
editorial, havia enfrentado crises econômicas e sofrido com as políticas
monetárias. O quadrinho sentiu muito tudo isso. Mas vejo hoje que isso
não só foi recuperado como o quadrinho adquiriu outro tipo de
visibilidade e impulso. Há leis de incentivo e há a internet, que é um
veículo que traz muita exposição para novos autores. Nesse sentido,
atualmente, o panorama é muito melhor do que era há alguns anos. Mas há
um longo caminho ainda a percorrer. É preciso que esse mercado se
consolide, é preciso buscar ampliar o público e ter um público
consumidor mais presente. É este o grande fator que diferencia os
mercados mais estabilizados (Europa, Japão) do mercado brasileiro. Vejo o
momento atual como parte de um processo que, lamentavelmente, foi
interrompido muitas vezes. Então apesar de toda essa movimentação atual
no cenário de quadrinhos o que vai definir se o mercado brasileiro se
consolidará é a evolução desse processo atual.

O que é necessário para essa evolução ocorrer?

A manutenção dos fatores atuais: editoras realmente investindo em
quadrinhos, estímulo e público para eventos, feiras, festivais. É
fundamental que as histórias produzidas no Brasil adquiram outro
patamar, subam de qualidade, tragam mais profundidade. Essa consolidação
depende do quão capazes serão os produtores de ampliar a parcela de
público interessada em quadrinhos; o quão capazes seremos nós, artistas,
de conquistar novos públicos.



Em termos editoriais e gráficos, podemos falar em uma evolução dos quadrinhos brasileiros?

As publicações têm melhorado e ganhado qualidade. O quadrinho autoral,
por exemplo, é o que tem adquirido mais destaque, e as sucessivas
publicações deixam evidente que ele está em pleno processo de
desenvolvimento e consequente amadurecimento. Há muito incentivio e
algumas editoras interessadas em explorar esse campo. Mas, em
contrapartida, tivemos uma completa decadência das revistas comerciais.
Quando comecei minha carreira, foi desenhando histórias de terror e
artes marciais que saíam na banca com periodicidade mensal. Hoje, não
temos mais revistas de consumo: de aventura, terror, policial. Em
qualquer um dos principais mercados mundiais de quadrinhos, as
publicações de gênero respondem pela maior parcela do mercado, fazendo
com que o quadrinho autoral gire em torno desse núcleo.

De que modo a falta desse tipo de publicação [de gênero] prejudica o mercado brasileiro?

Seria um fator que contribuiria para a consolidação do mercado. O fator
comercial é essencial para o mercado. E, com isso, eu não quero dizer
que histórias autorais não são comerciais. É que se comercializa de
maneiras diferentes. Um quadrinho autoral, normalmente, vai ser focado
em determinado número (pequeno) de exemplares e para determinado tipo de
público. Enquanto os para consumo maior, terão outro tipo de
tratamento, outra tiragem. A questão é que quadrinhos autorais têm
seguido um caminho no Brasil, enquanto outras publicações de gênero não
tem seguido caminho nenhum.

O Gabriel Bá afirmou recentemente que os quadrinhos
independentes no Brasil estão ficando cada vez melhores, ao mesmo tempo
em que ficam mais caros e as tiragens continuam as mesmas. Para ele,
está está cada vez mais difícil encontrar fanzines baratos, porque todo
mundo já parte para revistas sofisticadas. Você concorda?


Acho que é uma parte de um processo natural que ocorre no mundo todo.
As revistas decaíram. A cultura de banca se perdeu muito. Na Espanha,
nem se compra mais em banca. Os quadrinhos migraram – aqui há centenas
de gibiterias, que vendem revistas de gênero, consumo e autorais. Com as
lojas especializadas de quadrinhos, as revistas passam a ser tratadas
de outra forma. Além disso, nos últimos anos vimos uma evolução enorme
do processo produtivo que levou a um salto qualitativo visual: do papel
às cores. Isso acaba encarecendo o produto e fará com que,
inevitavelmente, o público fique limitado. Esse processo, que ocorre
agora no Brasil, não é um privilégio do Brasil. Já aconteceu em todos os
países de mercado consolidados.

Qual é o papel da crítica especializada de quadrinhos? Em que
medida, tanto os veículos maiores quanto blogs especializados, conseguem
atrair mais público e impactar as vendas? 


Eu vejo uma particularidade em relação à forma como o quadrinho é
apresentado ao grande público. Vejo que uma imensa parcela de críticos
se auto impõe a responsabilidade não de depurar a diversidade de
material que chega até os leitores, mas, sim, promover a linguagem do
quadrinho enquanto produto. Parece que o objetivo não é analisar, mas
trabalhar a favor da ampliação do público consumidor. O resultado disso,
se pensarmos em um público cujo contato com o quadrinho é pequeno ou
mesmo nulo, pode ser justamente o contrário do pretendido, já que
ocorrerão distorções que valorizam de modo de modo excessivo apenas
trabalhos medianos, ou até abaixo disso.

Pensando em ser quadrinista profissional, qual é a perspectiva
que hoje um jovem brasileiro pode ter? Comparando com a época que você
começou é mais fácil?


É diferente. Eu trabalhava em uma editora que tinha uma proposta
editorial e tive que me adaptar àquele tipo de proposta. Já hoje, a
perspectiva que os jovens e artistas têm, é que você é quem vai
formalizar a sua proposta e apresentar à editora ou buscar um
financiamento colaborativo, por exemplo. No caos do Brasil, é melhor
trabalhar desse segundo jeito. Porque a única editora que tem um estúdio
com uma proposta clara é a do Mauricio de Sousa. Não acho que é fácil.
Se você está inserido no mercado norte-americano, por exemplo, dá para
viver disso desde cedo. Porque é um mercado, assim como o europeu, muito
massificado. Existe um consumo muito grande de quadrinhos nesses
países. Editoras podem assumir contratos financeiros diversos e artistas
podem sobreviver só disso.

Trecho de Tungstênio: Quintanilla descrever Richard, um policial de Salvador que vive entre dilemas, mas não hesita em agir (Foto: Divulgação)
Você é reconhecido como um ótimo cronista, mas em críticas
recentes muitos jornais afirmaram que seu desenho e traço têm até se
destacado mais.  Como você descreveria o seu processo criativo? A
história é aleatória e o desenho a acompanha?


Eu realmente deixo as coisas acontecerem. Sei que isso não é usual no
mundo profissional, mas é como venho trabalhando. E as histórias são
muito consistentes justamente devido a isso. Quero dizer que o tempo que
é necessário para criar uma história não é algo contabilizável. Eu
posso terminar histórias em um espaço curto de tempo ou demorar anos.
Mas sei que tenho certa liberdade nesse aspecto devido às editoras com
as quais trabalhos – onde tenho confiança e liberdade. Muitas editoras
trabalham com prazos mais apertados e exigem dos artistas uma adaptação a
suas propostas. Meu trabalho não está vinculado a nenhum tipo de
proposta editorial que venha a ser colocada no mercado por alguma
editora. É uma diferença substancial. Eu desenho de todas as formas e
cada história tem um processo criativo diferente. Há histórias minhas em
que comecei desenhando e criando um pequeno storyboard e só depois fiz
os textos. Porque em alguns momentos simplesmente eu podia não ter
história. É válido não seguir caminhos – começar a desenhando e ver o
caminho que eles te levam. Agora, por exemplo, no caso do Tungstênio, eu
tinha uma história – que ouvi no rádio – e já criei com começo, meio e
fim.

Você comentou recentemente que não sentia saudades do Brasil,
porque você trouxe o Brasil inteiro com você quando foi para a
Barcelona. Em Tungstênio, a gente vê um retrato muito próximo do
brasileiro, dos 'heróis do cotidiano', daqueles que geralmente não são
os protagonistas. Qual é o Brasil que te inspira?


Infelizmente, muitas das coisas que me encantaram e com as quais
mantenho uma relação nostálgica não existem mais. É o bairro operário de
Niterói onde nasci, o Barreto, é crescer nos anos 70 em um local que
enfrentava um grande processo de deterioração. O apogeu ali já havia
passado há duas décadas, mas todo o universo operário estava ainda muito
presente. Isso me afetou de maneira fundamental, passou a ser a chave
com a qual eu pude formalizar meu trabalho. Um trabalho que dialoga com
as coisas simples, da vida cotidiana.

É essa a maior inspiração do seu trabalho?

Sim. Mas muitas das coisas nas quais me inspiro eu não presenciei
necessariamente. Eu trabalho a partir do que tenho comigo, do que penso,
não sinto essa distância. Meu trabalho não é presencial. Eu não
acredito na banalidade em si. Eu acredito na mítica do dia qualquer, em
que qualquer coisa pode acontecer. Eu nunca acreditei nisso [que alguém
tinha que falar o que fazer] e eu não acredito que seja possível pensar
isso para ninguém. Simplesmente porque minha forma de trabalhar nunca
foi para as editores, foi para os leitores. Quero buscar comunicação. É
isso o que mais me interessa quando faço quadrinho. Busco me comunicar
com o maior número de pessoas possível.














fonte: O que falta ao mercado de quadrinhos no Brasil | Época NEGÓCIOS - notícias em Visão
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