segunda-feira, 17 de junho de 2013

SAL Entrevista

Emerson Lopes é brasileiro; nascido, criado e residente em São Gonçalo; artista plástico, ilustrador, animador e também roteirista. Atualmente, alterna os seus trabalhos artísticos paralelos com as produções e publicações de suas tiras em blog próprio e nas redes sociais.
1- Obrigado pela oportunidade cedida, Emerson. Onde você nasceu e onde mora atualmente?
Eu que agradeço, Leo. É sempre um prazer falar de meu trabalho e é mais uma oportunidade para que outras pessoas o conheçam. Sou nascido, criado e atualmente morando aqui em São Gonçalo.

2- Qual sua formação, Emerson?
Cheguei a cursar um ano do curso de graduação em Pintura da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), mas tive de trancar a matrícula justamente para poder trabalhar com animação. Também fiz cursos de ilustração, pintura e roteiro com a intenção de aprimorar minha formação na área. Mas, apesar disso, no que se refere a minha profissão, posso dizer que aprendi a maior parte do que utilizo hoje em dia na prática e com colegas mais experientes com quem tive o prazer de trabalhar.

3- Como surgiu o gosto pelo desenho?
Ele não surgiu, nasceu comigo! Desenho desde que me entendo por gente eu praticamente não me lembro de um momento em que a arte não estivesse de alguma forma presente em minha vida.

4- Quem são os seus ídolos (autores) no desenho?
São muitos, mesmo. Mas alguns foram cruciais para minha formação como desenhista.
Nomes como John Byrne, Ron Frenz, John Buscema, Simon Bisley, entre outros, até hoje tem alguma influência no meu trabalho. Mas hoje em dia tenho tendência a gostar de artistas com o traço mais estilizado, que ousam mais nas formas. Admiro e me influencio com o trabalho de artistas como Mike Mignola, John Romita Jr, os irmãos Bá e Moon, Shane Glines, Cheeks, Arthur de Pins, Bruce Timm, Ziraldo e, se eu puder destacar um que pra mim é um ídolo por tudo o que realizou e conquistou como autor, esse é sem dúvida o Maurício de Sousa.

5- Como foi a sua infância? Do que mais gostava de brincar?
Eu era uma criança tranqüila e minha infância foi da mesma forma. Brincava de pipa, pião, bola-de-gude, jogava bola com os amigos da rua, via desenhos na TV, e lia gibis. Muitos gibis! Eu também desenhava muito e, de vez em quando, ilustrava as minhas próprias revistinhas, grampeava, e secretamente esperava publicá-las no futuro...rs.
Bons tempos!

6- Quem eram os seus personagens e heróis preferidos?
Ah, eu era mega-fã do Spectreman! Adorava desenhar os monstros da série. Também adorava as séries do Ultraman, Robô Gigante, os desenhos do Superman, Herculóides, Transformers, Thundercats, Superamigos, Zillion, Patrulha Estelar, etc.

7- Qual fábula infantil mais se identifica?
Acho que com o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que eu via na TV quando criança. Havia essa identificação por ser algo nitidamente brasileiro. Era fácil reconhecer nas histórias de Pedrinho, Narizinho e cia. elementos tão presentes na minha família e na minha infância.

8- Fale um pouco pra gente sobre Alfredo e também sobre os coadjuvantes Bro e Joana.
O Alfredo inicialmente surgiu como uma idéia simples. Um cara sem noção, que não se dava bem com as mulheres, mas é um otimista por natureza que nunca desiste de tentar. Mas eu queria que ele tivesse um elemento inusitado, e me veio a idéia dele ser um vampiro. Não um desses “modernos”, mas um vampiro clássico, com capa preta e tudo, vivendo no mundo atual.  Ele veio para o Brasil para mudar de ares e fazer amigos, já que na Transilvânia todos tinham medo dele. E por acaso ficou sabendo que as mulheres daqui eram lindas!
Já o Bro, o melhor amigo do Alfredo, é levemente baseado num amigo meu (que provavelmente nunca saberá disso...rs.). Ele é um cara descolado, metido a galanteador, e que às vezes tenta ensinar pro Alfredo as suas “táticas”, que nem sempre dão certo. Já Joana é uma menina doce, que adora coisas ligadas à astrologia e esoterismo e acha o máximo ter um amigo vampiro.

9- Emerson, você sempre gostou de histórias de vampiros? Qual o seu vampiro preferido? Em quem se inspirou?
Sempre curti histórias de terror. Vampiros, Lobisomens e monstros em geral sempre despertaram a minha imaginação. Meu vampiro favorito, claro, é o maior de todos: O Conde Drácula! Já minha inspiração maior, dentre outras, para o universo do Alfredo veio de um antigo desenho japonês chamado Dom Drácula. Era uma das minhas animações favoritas na infância e é fácil encontrar adultos na casa dos trinta que ainda se lembram dela com saudades.

10- Emerson, você tinha ou já teve pesadelos com vampiros?
Raramente tenho pesadelos, ainda mais com vampiros. No mundo de hoje esses monstros clássicos nos amedrontam apenas na ficção. O que me mete medo mesmo são coisas bem mais reais, e infelizmente cada vez mais freqüentes nos dias de hoje como a violência, a intolerância, etc.

11- Apesar de já existirem outros vampiros humorísticos (Beto Carneiro [Chico Anysio], Ernest [animação francesa de um vampiro com pesadelos, de François Bruel], Zé Vampir [Maurício de Souza], Dracky [Turma do Arrepio, de Cesar Sandoval]), e também românticos (Edward [Crepúsculo, de Stephenie Meyer] e outras séries), você acha que ainda existe leitores com preconceito aos autores vampirescos que não sejam sombrios?
As histórias de vampiros fascinam as pessoas há séculos e acredito que sua figura já tenha uma bagagem histórica e uma diversidade tão grande que qualquer interpretação do mito é válida. Preconceito mesmo, se é que se pode chamar assim, só vi com a série Crepúsculo. Mas eu acho isso bobagem, já que é algo voltado a um público específico, mais jovem, e nunca se propôs a ser uma história de terror. Além do que, uma série de livros que faz os jovens lerem mais não pode ser de todo ruim, mesmo com vampiros que brilham sob o sol...rs.

12- Por que o nome Alfredo?  Há alguma característica nele em que você se identifica? 
A idéia inicial era ele ter um nome “antigo”, mas sem a pompa que um típico nome de vampiro tradicional costuma ter. Acabei fazendo uma homenagem ao meu avô e batizando-o com seu nome. Ele tem muito de mim, sim, como o eterno otimismo e a ingenuidade com que ele vê certas coisas da vida. Acredito que essa identificação com o autor passe mais verdade ao personagem.

13- O que você acha do quadrinho nacional?
Compro quadrinhos nacionais há muito tempo. Desde as antigas histórias de terror, até os materiais que hoje saem nas livrarias. Apesar dos pesares do nosso mercado editorial, acredito estarmos vivendo um bom momento, com muita coisa boa sendo lançada numa freqüência que há poucos anos era impensável. Temos grandes talentos nacionais mostrando o seu trabalho aqui e lá fora, e acredito que esse quadro tende a se ampliar ainda mais com o avanço da tecnologia e a facilidade que a internet nos dá de mostrarmos a nossa produção ao público.

14- As tiras de "Alfredo, o Vampiro" são publicadas e divulgadas virtualmente. Há algum novo projeto para inserção dos seus personagens no mercado de quadrinhos?
Sim, há. No início cheguei a entrar em contato com alguns jornais e revistas, sem sucesso. Porém, no decorrer da produção das tirinhas obtive mais visibilidade e já recebi propostas de duas editoras. Há ainda outros projetos do tipo com este personagem e outros, aguardem!

15- Emerson, você também é animador. Em quais produções já trabalhou? O que você acha do mercado de animação no Brasil? Há projeto para o seu personagem animado?
 Sou animador 2d e ilustrador há pelo menos 16 anos e de lá pra cá tive o prazer de participar de algumas produções famosas, como os longas Xuxinha e Guto contra os monstros do espaço, Turma da Mônica-Uma aventura no tempo, e as séries animadas Cinegibi 4 e Peixonauta. Entre outras produções para TV e internet.
 O mercado de animação brasileiro tem crescido muito nos últimos tempos, devido às novas tecnologias que barateiam a produção, o surgimento de novos estúdios e a maior formação de mão-de-obra especializada. A demanda tem crescido e muita coisa boa tem sido produzida. E creio que veremos muito mais nos próximos anos.
Quanto ao Alfredo animado, tenho sim planos para isso. Estou aos poucos produzindo algumas animações-teste do personagem e espero ter novidades sobre isso futuramente.

16- Você pretende ver seus personagens em produtos licenciados, assim como a Disney e Turma da Mônica?
Sim. No caso do Alfredo, o plano sempre foi que o personagem se tornasse uma franquia, se expandindo para outras mídias e produtos. É um processo lento, mas aos poucos a gente chega lá.

17- Você tem algum ritual para se inspirar? Segue alguma disciplina para cumprir seus projetos pessoais artísticos?
Nenhum ritual em especial. Procuro me inspirar consumindo material dos autores que gosto, além de filmes, livros, jogos e músicas. E procuro coisas novas sempre que posso.
Fora a inspiração natural que vem da própria vida. Uma boa idéia pode vir de qualquer lugar, até de um diálogo entre estranhos que por acaso se ouve na rua. Já aconteceu...rs.
Como disciplina, tento acordar cedo e terminar o dia com a certeza de que o mesmo foi produtivo.

18- Você já teve algum momento de "vazio"? Como faz para superar?
Acontece com todo mundo que trabalha com criação, acho. Nesse momento, o melhor a fazer é se desligar um pouco do trabalho, dar uma volta, ler um gibi, relaxar a cabeça até a mesma voltar a funcionar.

19- Há alguma novidade que possa compartilhar sobre o Alfredo?
Há vários planos e projetos para o vampirinho. Espero vê-lo publicado em formato livro ainda neste ano ou no próximo, e talvez ainda em 2013 libere as animações-teste na internet. Ainda há planos para brinquedos, graphic novels e outras mídias e produtos, que espero realizar num futuro próximo.


20- Emerson, qual conselho você daria para um ilustrador que pretende seguir na mesma carreira artística?
Além de treinar muito, aconselho aos iniciantes pesquisarem o máximo que puderem sobre o mercado, a forma como o mesmo funciona, suas demandas. E saber usar os recursos da internet e as redes sociais para buscar conselhos de profissionais mais experientes, trocarem idéias, fazer contatos. Uma boa rede de contatos, aliás, pode fazer toda a diferença na carreira de um ilustrador. E a internet é uma poderosa ferramenta nesse sentido.




Quer conhecer mais sobre o trabalho artístico de Emerson Lopes? Entre em contato com ele:

emerson.desenho@gmail.com

Facebook: Alfredo, o vampiro

Blog: alfredovampiro.blogspot.com

domingo, 16 de junho de 2013

SAL Entrevista

Edson D'Car é brasileiro, nascido no Rio De janeiro e passou boa parte da vida em São Gonçalo, sua atual morada e local de trabalho. Desenhista profissional e autodidata, desenhou profissionalmente para vários jornais do país e ilustrou capas de cadernos para o mercado brasileiro e internacional. Muito criativo e com uma boa e talentosa equipe, Edson desenvolve a sua própria família de personagens, já trilhando o caminho das pedras artístico e demarcando o território no mercado de entretenimento. 

1- Obrigado pela oportunidade cedida, Edson. Onde você nasceu e onde mora atualmente?
Eu que agradeço Leo. Sou carioca, mas passei a maior parte de minha vida em São Gonçalo, Morei em Tribobó, Jardim Catarina, Itaúna e agora em Marambaia.

2- Qual sua formação, Edson?
Sou autodidata não cheguei a fazer cursos importantes ou escolas de belas artes, minha escola foram as bancas de jornais e meus professores foram Disney e Mauricio de Sousa (risos).

3- Como surgiu o gosto pelo desenho?
Sempre desenhei desde pequenininho, mas despertei mesmo em 1982. Quando dei por mim, já estava envolvido até o pescoço com o desenho.

4- Quem são os seus ídolos (autores) no desenho?
Como disse, Disney e Mauricio, mas depois vieram outros com John Buscema, Frank Miller e o maluco do  Greg Capullo (risos).

5- Como foi a sua infância? Do que mais gostava de brincar?
Nossa, eu brinquei de tudo que uma criança podia curtir na minha geração.
Carrinho de rolimã, bolinha de gude, futebol, pião enfim tudo, mesmo.

6- Quem eram os seus personagens e heróis preferidos?
Heróis...os de sempre, Homem Aranha, Super Homem e outros.

7- Qual fábula infantil mais se identifica?
Rapaz isso é difícil, existem muitas fábulas boas, eu curti várias. Cada uma tem sua magia especial.

8- Fale um pouco pra gente sobre o Chiclete e também sobre os coadjuvantes Dudu, Belinha, Beto Marreco e Peteca.
Faltou Jorjão e JJ (risos). Bem, o Chiclete na verdade é um boneco de pelúcia que ganha vida quando está com Dudu, ele tem um mistério nisso tudo. Todos os seus amigos chegaram até o Dudu de uma forma especial e todos menos Jorjão são bonecos. Cada personagem tem uma característica diferente que representa uma criança. Temos hiperativo, o atrapalhado, a bonitinha, aquele que não aceita o que é. Claro que Jorjão mostra aquele garoto valentão que tem em toda escola. O universo do Chiclete é muito grande, somente lendo sua origem é que dá pra descobrir.

9- Edson, você teve um cão parecido com o Chiclete? Qual o seu personagem cão preferido?
Não tive, foi inspiração mesmo. Gosto muito do Snoopy.

10- Emerson, Em que se inspirou para compor o visual do Chiclete? Por que o nome? Há algo no Chiclete ou no Dudu em que você se identifica?
O Chiclete já existia a anos eu só não tinha percebido isso antes. O nome dele seria Filé, mas na hora de escrever eu escrevi Chiclete, aí grudou. (risos)
Todos os personagens têm um pouco de mim, o Dudu é sonhador e criativo e o Chiclete um amigo incrível.

11- Acompanhando o primeiro livro infantil, vemos que ele tinha um traço diferente. Qual o motivo da notável mudança no visual do personagem?
Boa observação. Embora o primeiro livrinho dele tenha caído no gosto da criançada, eu resolvi trabalhar um universo mais comercial sem perder o foco principal que é o carisma da personagem. Coloquei ele mais jovem porque futuramente tenho planos com ele, é um fase que em breve acontecerá e todos entenderão.


12- O que você acha do quadrinho nacional? Há algum novo projeto para inserção dos seus personagens nesse mercado?
Quadrinho nacional, hoje se resume em Mauricio de Sousa. Por que falo isso? Infelizmente as editoras já não acreditam que possa ter um novo personagem nacional capaz de ficar ao lado da turma da Mônica. Isso vem prejudicando muitos artistas. Já me falaram em colocar pra vender revistas online, mas eu não acredito nisso ainda pois uma criança não vai comprar como faz nas bancas, ela tem que usar cartão e os país ganham chance de fugir dessa compra, nas bancas não (risos). Sobre projeto de lançar o Chiclete, eu tenho muita, mas ainda não defini isso.


13- O que você acha do mercado de animação no Brasil? Há projeto para o seu cãozinho Chiclete animado?
O mercado está aquecendo e melhorando muito, acredito que dará certo. Tenho um projeto completo pro Chiclete, mas esbarramos sempre na burocracia de sempre. Estou aguardando pra descobrir o caminho. Também tem uma coisa nisso, existem pessoas que sabem fazer animação, mas quando você tenta uma parceria e formar uma equipe todos só querem cobrar o mesmo que produtoras grandes e acabam ficando mesmo em “freelas” (free lancers). Não existe um objetivo de se formar uma equipe em algo que renda frutos, hoje a animação tem espaço é só produzir., vamos parar de estrelismo gente.

14- Você pretende ver seus personagens em produtos licenciados, assim como a Disney e Turma da Mônica?
Isso é sonho de todo artista.

15- Edson, Você tem algum ritual para se inspirar? Segue alguma disciplina para cumprir seus projetos pessoais artísticos?
Sim, tento dormir bem e sempre achar soluções pros problemas.


16- Você já teve algum momento de "vazio"? Como faz para superar?
Noooooossa! Muitos. É terrível isso. Paro tudo e vou ver televisão até voltar. (risos)

17- Há alguma novidade que possa compartilhar sobre o Chiclete?
Novas tiras estarão no ar em breve.

18- Edson, qual conselho você daria para um ilustrador que pretende seguir na mesma carreira artística?
COOOOOOORRAAAAAAAAAA (risos)!  Brincadeira; disciplina, coragem e nunca espere retorno financeiro alto tão rápido. 

Quer conhecer mais sobre o trabalho artístico de Edson D'Car? Entre em contato com ele:

edsondcar@yahoo.com.br

Facebook: Chiclete DCar




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