sábado, 18 de julho de 2015

Hino tocando: voltar à bandeira ou só ficar em pé?



Vem se popularizando uma inexistente e
equivocada exigência de que durante a execução do Hino Nacional o
público deve obrigatoriamente voltar o corpo ou o olhar para a direção
em que se encontra a Bandeira Nacional no recinto. Relatos existem de
agitações, atitudes desengonçadas de pessoas que procuram pelo pavilhão
nacional e ficam desconfortáveis, caem ou tropeçam, são cada vez mais
comuns.


Para as solenidades civis, a lei não impõe regras: apenas exige a postura seja "em pé em “posição de respeito” (art 30, Lei 5.700/71 – vide texto em SIMBOLOS NACIONAIS) Clique aqui


Para solenidades militares o regramento aplicável é o do respectivo
Regimento Interno, sempre muito rigoroso mas mesmo assim, salvo melhor
juízo, sem obrigar a tal atitude.


Na esfera civil, quando ocorre a execução do Hino (instrumental ou
vocal) os cerimonialistas recomendam que o público volte para o
regente, orquestra ou cantor. E isso é simples de entender: o Hino
Nacional, tal como a Bandeira, as Armas e o Selo, são todos Símbolos Nacionais sem qualquer hierarquia ou graduação de importância entre eles ( cf. art. 1º da Lei 5.700/71 - Clique aqui ).


Nos casos em que houver execução por mídia gravada (na mensagem referida como "execução mecânica” do hino), através de aparelhagem de som reproduzindo CD, fita cassete ou mp3, a recomendação é para que o público permaneça em pé, voltado para a mesa diretiva ou ponto central do recinto .


Se no local da execução orquestrada ou cantada, ou mesmo reprodução gravada do Hino, simultaneamente
acontecer o hasteamento da Bandeira Nacional, a recomendação é para que
o público se volte em direção ao dispositivo de bandeiras, pois nesse
caso a Bandeira Nacional é que deve ser o centro das atenções (art. 19,
Lei 5.700/71 - Clique aqui ) e o hino é executado ou tocado em sua "continência" ou função do seu hasteamento (art. 25, I; II cc art 14 § 1º, Lei 5.700/71 - acima).


A regra geral, para qualquer caso, é a de que, para cumprir a lei basta postura respeitosa. Nada mais.










POSTURA RESPEITOSA NA EXECUÇÃO DO HINO (Carlos, Xiquexique (BA) - FALE CONOSCO - 17/2/2009)
Clique aqui



Há exigência protocolar em toda Execução do Hino? (Antonio, Joanópolis (SP) - FALE CONOSCO - 16/2/2009)
Clique aqui




POSTURA: Voltar-se para a Bandeira é correto ? (Gilnei Ricardo - Gramado (RS) - FALE CONOSCO - 9/1/2009)
Clique aqui





HINO: Qual a postura correta, mãos, aplausos, etc (Carmen - Belo Horizonte (MG) - FALE CONOSCO - 7/10/2008)
Clique aqui





PODE ou NÃO PODE APLAUDIR O HINO? (Patriotismo.org.br - Artigos - Hino Nacional - 26/12/2008) Clique aqui





fonte: PATRIOTISMO - Organização da Sociedade Civil de Interesse P⬩co

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Mostra Cultural Instituto Êxodo e Prêmio Imperial 2015 em Petrópolis



A Mostra Cultural Instituto Êxodo e Prêmio Imperial 2015 está fantástica. Parabéns às curadoras, Tânia Leal e Lilian Rojas e a todos os participantes. Com muita honra e felicidade eu, Mauricio Duarte, participo como expositor com a obra Organismo.




A exposição se realiza no Centro de Cultura Raul de Leoni na Praça Visconde de Mauá, 305 .
Tel.: (24) 2233-1202











quinta-feira, 16 de julho de 2015

Rodrigo Gurgel / 10 livros que mudaram minha vida


10 livros que mudaram minha vida










Os Sertoes 10 livros que mudaram minha vida rodrigo gurgelDe Euclides da Cunha, 1. Os Sertões
foi o primeiro livro que estudei com o olhar de leitor malicioso — não
no sentido de “má índole”, o mais comum entre nós, infelizmente, mas no
sentido de “astúcia”, “sagacidade”. A motivação veio de Paulo Vieira,
meu professor de português no velho Instituto de Educação, em Jundiaí.
Quando comecei “A Terra”, tive uma vertigem: aquilo era incompreensível —
o livro exigia muito mais que um dicionário constantemente aberto ao meu
lado. Foi, aos 17 anos, o primeiro lampejo de que as melhores obras
literárias estão além, muito além do que o leitor inocente vê no seu
contato superficial, passageiro. Ir e voltar pelas páginas, descobrir a
musicalidade que a linguagem pode alcançar, sentir que aquele livro
estava além dos meus conhecimentos — tudo me impulsionava a ir adiante, a
perseverar.




Descobri 2. John Keats
de forma inesperada. Era o primeiro dia de aula na universidade. E a
primeira aula do primeiro dia. Meu professor de Teoria da Comunicação,
Flávio Vespasiano Di Giorgio, tirou o maço de Continental sem filtro do
bolso rasgado da camisa, acendeu um cigarro, sentou sobre a mesa e,
olhando para o vazio, agitando um pouco no ar seus dedos manchados de
nicotina, começou: “A thing of beauty is a joy for ever…”. Quando
terminou, o feitiço estava lançado: manhã após manhã eu tentaria me
vincular à terra, apesar do desespero, dos dias escuros e de todas as
dúvidas que pudessem existir na minha alma. Desde aquele dia, não passa
um semestre sem que eu releia o “Endymion” ou algum outro poema de
Keats. Minha fascinação por ele foi semelhante à do próprio Keats por
Homero: era como se eu tivesse descoberto um novo planeta.


john keats 10 livros que mudarm minha vida rodrigogurgelFoi também Flávio Vespasiano Di Giorgio quem me despertou para Drummond. Em algum momento daquele primeiro semestre, interrompeu, como sempre fazia, seu raciocínio e começou a declamar “Campo de flores”.



Comprei 3. Claro enigma
depois da aula. E descobri “Tarde de maio”, “Remissão” — nada resta do
que escrevemos, “senão contentamento de escrever”. E se busco “o fim sem
a injustiça dos prêmios”, também me pergunto, até hoje, “Que pode uma
criatura senão, entre criaturas, amar?”.




claro enigma 10 livros que mudaram minha vida rodrigo gurgelO início de 4. A Morte de Virgílio
capturou-me: “a solidão do mar, ensolarada e todavia prenunciadora de
morte”. Eu não sabia que a visão da armada imperial a cruzar o Adriático
me levaria mais longe do que qualquer outro romance que eu tivesse
lido. Com Broch descobri que a ficção não precisava estar presa aos
temas comezinhos da literatura brasileira, às historinhas pérfidas, a
permanentes universos mesquinhos, restritos à pelada no fim de semana, à
libido insatisfeita, aos subúrbios, a casos de adultério e existências
rasteiras.






lorde jim 10 livros que mudaram minha vida rodrigo gurgela morte de virgilio 10 livros que mudaram minha vida rodrigo gurgel5. Lorde Jim e 6. A fera na selva confirmaram Broch. A grande literatura está muitos degraus acima de
Capitu, Peri e Ceci, ou eternos retirantes esfaimados sem nenhuma
dúvida interior. Conrad e James me mostraram que a grande batalha
encontra-se no centro do nosso coração — essa é a única história sempre
recontada. Sem o duelo permanente que ocorre na nossa consciência, a
banalidade se instala na ficção — e é vendida aos incautos como o melhor realismo.


Em algum momento da década de 1970 comprei



a fera na selva 10 livros que mudaram a minha vida rodrigo gurgel 7. Raízes da Criação Literária,
de Edmund Wilson. Foi meu primeiro contato com uma crítica literária
consistente, jamais sufocada pela erudição. Ao contrário, a erudição
servia para tornar o texto sedutor, as idéias eram colocadas de forma
clara — e o autor realmente dialogava com os livros. Ter lido um ensaio
como “Filoctetes: a chaga e o arco” vacinou-me, percebi anos mais tarde,
contra o estruturalismo ou a semiótica. Wilson foi o filtro que impediu
minha contaminação completa. Na faculdade, forçado a me empanturrar com
os textos tediosos de Roland Barthes, eu mantinha Wilson como uma
referência lúcida, equilibrada.




a orgia perpetua 10 livros que mudaram minha vida rodrigo gurgelraizes da criacao literaria 10 livros que mudaram a minha vida rodrigo gurgelA análise que Mario Vargas Llosa faz de Madame Bovary, em 8. A orgia perpétua,
confirmou o que eu intuíra ao ler Wilson: na análise de um texto, era
possível o detalhamento, digamos, quase científico, mas sem matar
a obra, sem transformá-la num esquema, numa árvore de análise
lingüística, sem endeusar a linguagem, sem desvincular a obra da
realidade. Llosa me ensinou ainda mais: mostrou-me que o hermetismo das
vanguardas, seu suposto espírito revolucionário, era um engodo. E por um
simples motivo: o bom escritor carrega a ira de Flaubert — a ira que o
salvou do “esteticismo hermético”. Essa ira, muitas vezes contra a
própria humanidade, “infundiu em seus livros o vírus negativo que é o
segredo da sua acessibilidade: para que um romance provoque dano é
imprescindível que seja lido e entendido”.


Se Edmund Wilson me vacinou contra os estruturalistas, Olavo de Carvalho
me vacinou contra o marxismo e a intelectualidade materialista,
hedonista e cética que pontifica na mídia e na universidade brasileiras.

o imbecil coletivo 10 livros que mudaram minha vida rodrigo gurgel
Depois de ler 9. O imbecil coletivo
ainda militei anos na esquerda, mas o pensamento de Olavo permanecia —
desculpem-me o chavão — como uma ilha de lucidez. Fazia com Olavo o que o
diretor do Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, em Jundiaí, fazia com Lênin
nos anos duros da ditadura militar: guardava-o num armário bem fechado,
em algum ponto sombrio da biblioteca. Eu me debatia com meus próprios
pensamentos; repleto de dúvidas, observava a vida e meu trabalho
seguirem destituídos de sentido. Ao mesmo tempo, percebia a tremenda
incompatibilidade que havia entre o discurso dos “companheiros” e sua
prática cínica, aética.


pensadores russos 10 livros que mudaram minha vida rodrigo gurgelO Imbecil coletivo e tantos outros artigos de Olavo somaram-se a Isaiah Berlin
— e então livrei-me do coscorão esquerdista. Olavo e Berlin foram meus
guias no processo de rompimento definitivo não apenas com uma forma de
pensar, mas com uma forma de viver. Ambos são intelectuais completos.
Minha leitura de Berlin começou por seu ensaio “O ouriço e a raposa”, em



10. Pensadores russos, aula de crítica literária e cultural.


Foi um longo processo. Olavo de Carvalho
e Isaiah Berlin ajudaram-me a abraçar aquelas verdades que sempre
estiveram à mão, obscurecidas pelo meu esquerdismo. A primeira delas, a
mais banal, é que justiça e liberdade jamais foram bandeiras exclusivas
da esquerda. Aliás, a esquerda tem se notabilizado na história
exatamente por, chegando ao poder pela via revolucionária, trair esses
ideais.


Mas o que Olavo de Carvalho
e Isaiah Berlin me oferecem não se resume a desacreditar do marxismo.
Seria muito pouco para dois pensadores excepcionais. Eles me fazem
refletir, como os outros livros que mudaram minha vida, sobre a
existência, a literatura, a condição humana — e cada página deles
acrescenta algo à minha Weltanschauung.





Rodrigo Gurgel / 10 livros que mudaram minha vida - Rodrigo Gurgel

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Leo Vieira: O que fazer diante de uma resenha negativa?

Uma polêmica das grandes! O que fazer quando a resenha encomendada sai negativa e ofensiva?
Isso pode acontecer principalmente quando o blogueiro é preconceituoso e decide atacar pela sua ótica pessoal. Infelizmente não se pode agradar a todo mundo.
Antes de tudo, vou ensinar como evitar esse constrangimento. Primeiro, antes de entregar o livro, procure saber qual o gênero literário preferido do blogueiro. Se ele tiver um gênero que odeia, procure saber também.
Depois, peça antes que o blogueiro leia ressaltando a qualidade textual e gramatical. Se o resenhista descer o sarrafo no seu livro de zumbis simplesmente porque ele odeia a temática, saiba que não foi pelo seu livro ter sido ruim, e sim porque foi somente pelo gosto dele.
Se por acaso a resenha correu solta, não alimente a polêmica. Ficar fazendo alardes, com lamúrias públicas só vai servir de lenha na fogueira. Isso é tentar apagar o fogo com querosene.
Críticas públicas vão aumentar o ibope do blogueiro. Além de criar uma situação desconfortável para todos. Existe uma regra para nunca usar o telefone quando se está bêbado. Também não devemos tomar atitudes quando estamos zangados. Isso também se aplica à internet. Relaxe, tome um café, dê uma volta na rua, leia um gibi, pense em coisas boas e depois tome uma atitude com disciplina.
Se você ficou extremamente ofendido, você pode pedir gentilmente que a resenha seja removida do blog. Se o blogueiro também quiser devolver o livro, agradeça.
Caso nem uma nem outra coisa seja feita, não toque mais no assunto. Também não se vingue, para que isso não prejudique o seu lado. Caso o rumo das postagens ofensivas lhe prejudicarem demais, tome medidas judiciais cabíveis.

E a vida virtual literária continua. Todos nós erramos e aprendemos a não repeti-los, nem confiar novamente em certas pessoas.

Leo Vieira


Acompanhe a campanha de incentivo à leitura "Leia + Livros", do Leo Terário.
® Leo Vieira- Direitos Reservados 

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