terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fazendo uma Boa Narrativa

Para fazer uma boa construção de sua obra, seja ela acadêmica ou romancista, é muito  importante saber apresentar seu conhecimento através das palavras adequadas. Cuidado para não usar um conteúdo muito extenso ou rebuscado, tornando a leitura enfadonha e cansativa. A leitura deve ser suave e prática, trazendo bom entendimento e compreensão para o leitor.
Outro detalhe da narrativa é o contexto e âmbito em que ela for apresentada. Se você for escrever um livro técnico, tenha muito cuidado em não usar gírias ou opiniões pessoais demais. Um livro técnico deve sempre se parecer com um livro técnico. É um estudo com uma linguagem universal no idioma "livrês" (isso, o livro fala um idioma próprio).
Existem livros que não se tornaram o esperado simplesmente porque o autor não se atentou aos pequenos e preciosos detalhes que fariam uma grande diferença.
Agora na questão de apresentar um romance, eu aconselho com a comparação com a piada: "não existe anedota ruim e sim a que foi mal contada".
Existem centenas de milhares de piadas de papagaio, de português, de bêbado, etc. Todas praticamente parecem sair da fôrma quando são publicadas ou contadas. Isso porque o autor faz uma "releitura" do que aprendeu, contando da forma mais atual possível.
Os romances de ficção podem serem comparados à essas piadas, porque também são ambientadas no mesmo aspecto, como romance de amor, de ficção, de terror, etc. O autor decidirá a melhor forma de contá-la através de sua narrativa.
Se uma história ficar focada demais em um personagem, como se fosse uma biografia, o mais recomendável é a narrativa em primeira pessoa. O melhor em utilizar esse meio é que o autor poderá investir mais na profundidade do personagem através de sua narrativa, explorando as suas emoções enquanto conta tudo o que passou durante a história.
Agora, se a história for dinâmica demais, com enredos paralelos, o melhor é a narrativa em terceira pessoa. Mas o autor precisa contar a história em uma linguagem mais acadêmica, em estilo mais jornalístico. Quanto mais neutro ele for, melhor. Nada de deixar escapar uma opinião pessoal. Lembre-se que é o livro que conta a história. O autor é apenas um empregado nesses momentos, tornando o leitor um cúmplice.

Apenas em crônicas que é melhor para que o autor use todo o seu conteúdo pessoal, abusando das comparações e linguagem. É claro que tudo isso é apenas uma opinião pessoal, mas não deixe de manter a mente aberta para analisar e comparar o que pode ser melhor para o seu estilo de narrativa.


Leo Vieira

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Dicas para um Desenhista


Alexandre Martins*

Como brasileiro, desde cedo desprezei anglicismos. É como diziam das Missas em Latim: se estamos no Brasil, por que não rezar em Português?

Na área que estou, existem vários nomes, mas o mais popular é o de "Design". Ora, ser um "designer" é mais pomposo do que dizer apenas "desenhista", sendo que, no fim das contas, são a mesma coisa. No Brasil, "designer" é o profissional que trabalha em projetos, como o desenhista industrial, e "desenhista" é qualquer um que desenhe alguma coisa. Desconfie dos que exigem que sejam tratados como "designers", para eles vale a máxima do "quem não é doutor exige ser chamado como tal".

"Design" ou Desenho Industrial é a idealização, criação, desenvolvimento, configuração, concepção, elaboração e especificação de objetos que serão produzidos por meio de sistema de produção seriada com padronização dos componentes. Em inglês, "design" (dizáinar) significa "desenhista de projeto" e "draftsman" (draf-tz-mén) o "desenhista artístico" ou à mão-livre.

Sou um desenhista. Mesmo fazendo desenho-animado, ainda sou um desenhista. E me orgulho muito disso.

Para os que gostam de desenhar e acham que somente sendo um "designer" terão dinheiro, seguem alguns itens que poderão ajudar a saber se sua vocação é essa:

1 - Ser curioso em relação às mais diversas áreas e gostar de estudar e de ler. Como sempre, ler é fundamental. E ler coisas boas, mais ainda.

2 - É importante ter interesse por artes visuais, mas não é imprescindível “saber desenhar”. Ou seja, procure um bom Curso de Desenho, pois nele você terá à sua disposição as orientações para saber que nem sempre é preciso ser um Michelangelo ou um Frank Frazetta para trabalhar com desenho.

3 - Desenvolver, além da aprendizagem de técnicas, o estudo de comunicação e linguagens que traduzam, resumam ou mesmo adicionem significados aos textos que serão acompanhados das ilustrações. Ou seja, conhece sua língua pátria, o Português? Deveria. Não é preciso ser um Professor Pasquale, mas falar e escrever bem ajuda muito o desenhista.

4 - Ter um portfólio de trabalhos e um cartão de visitas. Parece brincadeira, mas a grande parte dos que bateram na porta do meu estúdio não tinham nem uma pasta plástica para colocar seus desenhos, e muitos desenhavam em folhas pautadas! Faça seu portfólio lembrando da máxima "Se não está na pasta, você não sabe fazer".

5 - Definir quais as áreas em que deseja atuar e buscar o perfil das empresas que têm afinidades com seu trabalho. Na região de São Gonçalo e adjacências há muitas empresas, de todos os tamanhos e necessidades de desenhistas.Não é preciso ir para o Rio de Janeiro, muito menos para São Paulo. Bata de porta em porta.

6- Nunca aceitar convites para trabalhar de graça ou por preços irrisórios, o que desqualifica o profissional e a profissão. Parece óbvio, né? Mas muitos trabalham assim achando que irão conquistar a empresa ou o cliente. Sempre cobre alguma coisa, nem que seja um cachorro-quente...

Alguns livros como “Viver de Design”, do Gilberto Strunck (professor de minha Escola) dão orientações interessantes para designers e que podem ser utilizadas também por ilustradores.

Sobre preços, falaremos em outra ocasião.

Bons desenhos!









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(*) Empresário Cultural, bacharel em Artes (EBA/UFRJ)
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