quarta-feira, 3 de junho de 2015

Tide Hellmeister


 
Tide Hellmeister

Aristides de Almeida Hellmeister ou Tide Hellmeister, como ficou conhecido, foi artista gráfico, artista plástico e ilustrador. Sua trajetória profissional começou numa emissora de televisão, a TV Excelsior como assistente do pintor e cenógrafo Cyro Del Nero.  Depois trabalhou na editora Massao Ohno e na gravadora RCA Victor fazendo capas de livros e de discos.
O seu trabalho como ilustrador é reconhecido como de qualidade ímpar. Em 1964 foi premiado na Bienal do Livro do México e dois anos mais tarde, recebe o Prêmio Leo na Argentina como capista de discos.  Em 1973 é considerado o melhor artista gráfico paulista pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Entre 1978 e 1983 foi diretor e consultor de arte na Editora Abril. É novamente premiado pela APCA em 1989 por suas colagens.  De 1990 a 1997 ilustra a coluna do jornalista Paulo Francis no jornal O Estado de São Paulo.
Suas colagens e inserções gráficas de tipologia e escrita são sempre muito expressivas e contundentes.  Como no cartaz “Galo”, que realizou para Editora Gráficos Burti em 1992; cartaz comemorativo do ano da 2ª. Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Nele vemos a figura de um galo formado por recortes coloridos, pinceladas de tinta e riscos gráficos coloridos e com inserções, de cima para baixo, de duas linhas de frase no branco, que fazem referência à escrita à mão, escrita de cartas ou de assinaturas.  Um fetiche contemporâneo, bem como todo o repertório de imagens que o artista utiliza como colagem e recurso plástico e gráfico.  Um movimento da pata da esquerda para a direita faz o galo seguir na mesma direção do nosso olhar quando lemos na nossa escrita ocidental, reforçando a elegância e a fluidez da peça.  Encima os dizeres Acrilicolagem, o nome de Hellmeister e a notação sobre a 2ª. Conferência das Nações Unidas separados por um fundo arroxeado, do fundo preto onde fica o galo, por um beiral em formas triangulares.
Mas o artista também sabia ser sutil e misterioso quando queria, sem deixar de lado a expressividade que era, talvez, sua maior marca.  Como na ilustração para o livro de poemas de Otoniel S. Pereira, “Bichário”.  Numa das páginas vemos a ilustração do poema “Gato” realizada com maestria sem igual.  Um grande rasgo num fundo maior preto e também num fundo menor com um xadrez escuro e azul em perspectiva, revela dois olhos felinos, reforçados por uma nova inserção do focinho do animal logo abaixo. Encimados por uma pincelada amarela, a “moldura” ganha vida.  E riscos arroxeados no meio e embaixo completam a composição com as inconfundíveis inserções gráficas de texto corrido escrito à mão em branco (na parte de baixo) e em roxo (na vertical à esquerda). O poema tem seu lugar garantido à direita embaixo em branco no fundo preto enquanto que o seu título vem mais acima em branco, num box vermelho.
“Eu sou um grude” assim se auto-definia, Tide Hellmeister que, certamente, fazia referência às suas colagens quando o disse.  Mas o correto é que o artista não partia da vontade de fazer uma colagem quando iniciava um trabalho, mas antes, seguia sua intuição, aplicando diversas técnicas. E por isso utilizava o termo “collage”. Um dos ícones do cenário das artes gráficas nacionais e mundiais, o grande mestre teve em 2006 o lançamento do livro Tide Hellmeister, Inquieta Colagem sobre seu trabalho juntamente com um debate no Museu da Casa Brasileira em São Paulo. O artista faleceu em São Paulo, em 2008, nos deixando um legado artístico sem igual.

Mauricio Duarte

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Leo Vieira: Valorize-se Escritor!

Certa vez eu fui ao dentista e durante a minha espera, apareceu uma senhora com o seu filho adolescente precisando de um serviço emergencial (a clínica onde ele é atendido já estava fechada). Ela informou uma parte do aparelho do rapaz havia se quebrado, deixando solto uma parte do cabo de metal, correndo grande risco de ferir a bochecha dele. A mãe alegou que somente precisaria  cortar o pedaço do metal, porém o dentista disse que teria que remover o cabo inteiro e colocar outro (provisório) até o jovem ser atendido pelo dentista original para apertar o aparelho devidamente. O serviço teria o valor de uma consulta e a mãe (esperando apenas por uma gambiarra grátis ou com um valor simbólico) logo desistiu do orçamento, indo embora com o menino.

Isso me fez pensar em muitas ocasiões em que outros profissionais são desvalorizados e se deixam desvalorizar com esses tipos de clientes. Os desenhistas convidados para "fazer um desenho rápido", um taxista "pra levar daqui até ali", um designer "pra dar um jeitinho no site", um advogado "pra dar uma olhadinha no processo", entre outras coisas.

Não tenha medo de perder um cliente. Continue profissional e confiante que o seu reconhecimento chegará.


Leo Vieira

Acompanhe a campanha de incentivo à leitura "Leia + Livros", do Leo Terário.
® Leo Vieira- Direitos Reservados 
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