sexta-feira, 8 de maio de 2015

Feliz, Jaime Cezário exalta Porto da Pedra e seu enredo






Como diria Chico Anysio, tem que chamar
um profissional. Depois da divulgação da sinopse-catástrofe e do
excêntrico desmentido setenta e duas horas depois, atribuindo a uma
profissional de imprensa aquele ‘roteiro do tinhoso’, a extraordinária
Unidos do Porto da Pedra, escola de imensa tradição e grandes desfiles,
apresentou nesta segunda-feira, durante o sorteio da ordem de desfile da
Série A, o carnavalesco Jaime Cezário, que defendia a Acadêmicos do
Cubango em 2015.
Feliz, o artista falou ao Tudo de Samba
sobre como aconteceu o convite e sobre sua imensa alegria em
representar a escola, que reputa como uma casa sua, e da admiração que
tem pela alvirrubra, historicamente uma referência de qualidade e
performance.
- Já estava conversando com a escola há
algum tempo e acabei fechando semana passada. Divulgariam apenas na
quarta-feira, mas os acontecimentos recentes acabaram antecipando os
fatos e isso foi muito bom, já que pude estar com a comunidade no
momento do sorteio. Cheguei lá em cima da hora mas curti demais o
evento. Foi uma delícia – afirmou.
cezarioempeSempre
reforçando o valor desta oportunidade de trabalho, Jaime exalta o
enredo em homenagem ao palhaço carequinha. Conhecedor de sua trajetória e
fã do ícone gonçalense, entende que o tema vem ao encontro da
necessidade da Porto em retomar seu espaço entre as boas escolas do
carnaval. Citou o fato de seus amigos de fora do Rio de Janeiro terem
parabenizado seu novo trabalho, exatamente porque conheciam a escola,
sua estrada e o grau de qualidade que sempre atingiu.
- Sou da casa e conheço bem o que é esta
escola. Um enredo como a homenagem que faremos ao maior palhaço
brasileiro, e que escolheu nossa terra para viver, é tudo o que a Porto
da Pedra precisa para voltar ao seu lugar. Sempre fomos referência de
qualidade, de luxo. Nossa quadra é a primeira ‘Arena Fifa’ do samba e
isso inspirou as outras escolas a melhorarem também. Vários amigos
vieram me parabenizar pelo contrato e os de fora do Rio sabiam da
dimensão desta escola. Vamos elevá-la novamente, aos patamares merecidos
– vibrou.
Quanto à posição no desfile, terceira a
se apresentar na sexta-feira de carnaval, Cezário dá de ombros e lembra
que o exemplo do Império Serrano do último ano, que acabou obtendo a
terceira colocação, é o que deve servir como exemplo.
- Não vejo o menor problema em desfilar
sexta-feira e logo de cara. O que vale é o trabalho, é a apresentação, o
resto é desculpa. O caso do Império Serrano foi esse. Com dificuldades e
desfilando ali, acabou lutando pelo título. E vamos fazer exatamente
isso, já que temos escola e comunidade – finalizou.




Feliz, Jaime Cezário exalta Porto da Pedra e seu enredo

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A Arte Contemporânea é uma farsa: Avelina Lésper





Com a finalidade de dar a conhecer seus argumentos sobre os porquês da arte contemporânea ser umaarte falsa“, a crítica de arte Avelina Lésper apresentou a conferência “El Arte Contemporáneo- El dogma incuestionable” na Escuela Nacional de Artes Plásticas (ENAP)sendo ovacionada pelos estudantes na ocasião.
 A arte falsa e o vazio criativo
A
carência de rigor (nas obras) permitiu que o vazio de criação, o acaso e
a falta de inteligência passassem a ser os valores desta arte falsa,
entrando qualquer coisa para ser exposta nos museus
A crítica explica que os objetos e valores estéticos que se apresentam como arte são aceites em completa submissão aos princípios de uma autoridade impositora. Isto faz com que, a cada dia, formem-se sociedades menos inteligentes aproximando-nos da barbárie.
O Ready Made
Lésper aborda também o tema do Ready Made, expressando perante esta corrente “artística” uma regressão ao mais elementar e irracional do pensamento humano, um retorno ao pensamento mágico que nega a realidade. A arte foi reduzida a uma crença fantasiosa e sua presença em umero significado. “Necesitamos de arte e não de crenças”.
Génio artístico
Da mesma maneira, a crítica afirma que a figura do “génio”, artista com obras insubstituíveis, já não tem possibilidade de manifestar-se na atualidade. “Hoje em dia, com a superpopulação de artistas, estes deixam de ser prescindíveis qualquer obra substitui-se por outra qualquer, uma vez que cada uma delas carece de singularidade“.
O status de artista
A substituição constante de artistas dá-se pela fraca qualidade de seus trabalhos, “tudo aquilo que o artista realiza está predestinado a ser arte, excremento, objetos e fotografias pessoais, imitações, mensagens de internet, brinquedos, etc. Atualmente, fazer arte é um exercício ególatra; as performances, os vídeos, as instalações estão feitas de maneira tão óbvia que subjuga a simplicidade criativa, além de serem peças que, em sua grande maioria, apelam ao mínimo esforço cuja acessibilidade criativa revela tratar-se de uma realidade que poderia ter sido alcançada por qualquer um“.
Neste sentido, Lésper afirma queao conceder o status de artista a qualquer um, todo o mérito é-lhe dissolvido e ocorre uma banalização. “Cada vez que alguém sem qualquer mérito e sem trabalho realmente excepcional expõe, a arte deprecia-se em sua presença e concepção. Quanto mais artistas existirem, piores são as obrasA quantidade não reflete a qualidade“.
 Que cada trabalho fale pelo artista
O artista do ready made  atinge a todas as dimensões, mas as atinge com pouco profissionalismo; sfaz vídeo, não alcança os padrões requeridos pelo cinema ou pela publicidade; sfaz obras eletrónicasmanda-as fazer, sem ser capaz de alcançar os padrões de um técnico mediano; senvolve-se com sons, não chega à experiência proporcionada por um DJ; assume que, por tratar-se de uma obra de arte contemporânea, não tem porquê alcançar um mínimo rigor de qualidade em sua realização.
Os artistas fazem coisas extraordinárias e demonstram em cada trabalho sua condição de criadoresNem Damien Hirst, nem Gabriel Orozco, nem Teresa Margolles, nem a imensa e crescente lista de artistas o são de fato. E isto não o digo eu, dizem suas obras por eles“.
 Para os Estudantes
Como conselho aos estudantes, Avelina diz que deixem que suas obras falem por eles, não um curador, um sistema ou um dogma.Sua obra dirá se são ou não artistas e, se produzem esta falsa arte, repito, não são artistas”.
O público ignorante
Lésper assegura que, nos dias que correm,
a arte deixou de ser inclusiva, pelo que voltou-se contra seus próprios
princípios dogmáticos e, caso não agrade ao espectador, acusa-o de “
ignorante, estúpido e diz-lhe com grande arrogância que, se não agrada é por que não a percebe“.
O espectador, para evitar ser chamado ignorante, não pode dizer aquilo que pensa, uma vez que, para esta arte, todo público que não submete-se a ela é imbecil, ignorante e nunca estará a altura da peça exposta ou do artista por trás dela.Desta maneira, o espectador deixa de presenciar obras que demonstrem inteligência”.
Finalizando
Finalmente, Lésper sinaliza que a arte contemporáneé endogámica, elitista; com vocação segregacionista, é realizada para sua própria estrutura burocrática, favorecendo apenas às instituições e seus patrocinadores. “A obsessão pedagógica, a necesidade de explicar cada obra, cada exposição gera a sobreprodução de textos que nada mais é do que uma encenação implícita de critérios, uma negação à experiência estética livre, uma sobreintelectualização da obra para sobrevalorizá-la e impedir que a sua percepção seja exercida com naturalidade“.
A criação é livre, no entanto a contemplação não é. “Estamos diante da ditadura do mais medíocre”


fonte: Vanguardia
 A Arte Contemporânea é uma farsa: Avelina Lésper | Incubadora de Artistas

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Contemporâneo até quando?


jean-shin




Há uma situação imperdoável quanto ao critério que, via de regra,
serve para “atestar” a contemporaneidade da arte. Critério que já
dispensa endosso técnico, pois se incorporou feito possessão no espírito
que anima os “circuitos oficiais” da arte. Todavia, sejamos
benevolentes, ou melhor ainda, amorosos, porque não há nada que seja
passível da necessidade de perdão na esfera das expressões espontâneas
que se materializam na cultura e nada que se eleve mais do que o amor.

Mas a vista, independentemente do que se pode ou não perdoar ou do que
se deveria considerar ou não passível de critério, vê! E aos olhos tudo é
um dizer. E nada se interpõe ao seu escrutínio… ou não?

Aí está a questão! Que aqui insurge como o levante da alma em seu
desassossego, e deste grito que rompe o silêncio nefando da indiferença à
diferença, VÊ-SE o som dilacerante a revelar sua necessidade de ser: EU
SOU!

A ingenuidade da afirmação chega a fazer sorrir os que ainda sentem que
há algo de vivo a correr por suas entranhas, mas sei que não alcançará
os que já ultrapassaram a verdade, deixando-a subsumida aos ditames da
ilusão de que há de fato o que se enuncia como “contemporâneo”.

Quem é e quem não é contemporâneo hoje?

Será esta uma nova forma de se interpelar as profundidades do ser ou
este é o sepulcro daquilo que se deseja matar de uma vez por todas: a
imortalidade. De onde emana a profecia que nasce para decretar a morte
da arte, ao menos na história, senão da visão da própria morte da noção
de imortalidade?

Sejamos mais uma vez condescendentes para os que ainda buscam o fio da
meada, para os que tentam se agarrar ao nexo fixo do argumento misturado
ao cal e a pedra, no gênero e na categoria do que aqui se diz…pois que
estes sempre são os que precisam mais do que qualquer outro do que se
diz sobre o imperdoável.

Iniciemos por uma questão bem sucinta: o que é ser contemporâneo?

Diria talvez o dicionário que é aquele que vive a um só tempo com
outros, ou que ainda, que partilha dos símbolos e motivos que este tempo
imprime nos espíritos. Enfim…tudo o que possa remeter à coexistência
temporal.

E o que se poderia dizer então, quando transpomos tais pressupostos para
quebrarmos a barreira da normalidade, e tais como juízes que somos por
natureza, invadíssemos de súbito o estranho universo que motiva a
criação artística?

Subsistiria o tempo dos que sofrem, dos que são felizes, dos que não
sabem que há a contemporaneidade ou dos que não se vêem senão como seres
integrados a tudo que o dia a dia expõe como o imperativo categórico,
sejam os pós modernos ou os do terceiro milênio?

Ora, diríamos que os que estão afinados exatamente com o que é o senso
comum, ao que move o espírito da maioria, ao que remete ao símbolo
comunitário inequívoco deste tempo, e ainda, ao que se serve de
propriedades da matéria plástica que é filha deste tempo – a borracha, o
vinil, os estirenos, as espumas, os metais efêmeros, os acetatos, os
raios layser, os imãs e toda radiação, e finalmente toda sorte de
escombros e refugos reciclados intermináveis – é por excelência um
artista contemporâneo.

Dito desse modo, a priori, tal manifestação artística já se enquadraria
numa categoria segura, e serviria de suporte à etiqueta e ao verbete num
dicionário anual de artes contemporâneas. E, conseqüentemente, toda
expressão do espírito que se serve da matéria que serviu a outros
tempos, o óleo e a tela, o barro, o cinzel e o bronze ou o mármore, já
se destinam de antemão ao limbo que abriga as almas penadas dos
desencarnados.

Mas o que dizer de um anuário de artes contemporâneas que já está no seu
quarto ou quinto ano e que se apresenta como uma publicação regular,
que se consolida ano após ano e que visa a secularização?

Será que a arte ali representada será sempre contemporânea porque o
critério que julga aquilo que se publica é suficiente para atualizar os
gêneros e garantir o que caracteriza o “novo”, de modo a impedir a
contradição da mera repetição anual do que se produz? Mas não seria o
caso de abolir então a temporalidade que exclui a diferença tanto mais
distante está do momento que se cunhou a definição do que é ser
contemporâneo inadvertidamente?

Questão que pode igualmente provocar risos nos que riam a pouco quanto
ao desejo da alma querer ser, mas que, ao avesso, ultrapassada a
barreira do status quo, fere a dignidade dos que ainda sentem a
necessidade de ser dignos.

E afinal, o que é ser contemporâneo então???????????

Que artigo é esse?

Que há de se querer ser mais do que já se é, eu diria.

Ser mais do que contemporâneo?

Deus…que arte de querer é essa que irrompe neste tempo?

Contemporânea até quando?

Quantos são os tempos para que num dado momento da história da arte se
possa congelar um período, distinguindo-o dos demais para encaixotar
nele o que se manifestou pela ânsia insana do artista?

Quem se responsabiliza pela insanidade do artista e reconhece nele e na
sua obra o fio de um nexo identitário temporal, quando é sob um
temporal, de furacões de emoções e de lembranças intemporais do que em
sua criação pode nunca ter sido verdade um dia, e que ele, indiferente a
isso e crente apenas em si, assina e imortaliza como obra num anuário
feito sua imagem e semelhança?!!!!!!!!!!!!

Finalizemos sóbrios como se deseja sempre, preservando a integridade do
léxico que se avulta no horizonte competente das autoridades.

Minha tese é a seguinte meu caro amigo: não há contemporaneidade, há no
máximo a multitemporalidade, ainda assim, considerando a limitação
temporal um requisito para nortear o discurso racional, pois ouso aqui
dizer que o tempo não existe sem nosso desespero de quantificar a
natureza.

Há estações, parece que dizemos que são quatro, se bem que de um tempo
para cá elas não andam tão bem definidas. Há a rotação da Terra, se bem
que dizem os contadores do tempo que houve uma aceleração. Há também o
ano, mas ele está vinculado a isto que alterou a rotação do
planeta…bem…mas deixemos isto apenas como a provocação de um conspirador
ignorante.

Pensemos só sobre o que nos é mais familiar pensar: o homem.

Tantos são os homens, que é em vão o desejo de conhecer a todos, pois
que nunca se saberá o que ele é, justamente por isso: o homem “é”, ele
não deixa de ser “nunca”, daí a impossibilidade de afirmar que ele “é
isto” com base na nossa experiência dele “ter sido isto”!

Pensemos então apenas na arte contemporânea.

Do mesmo modo, é de uma crueldade estúpida o exercício do poder que se
auto outorga a condição legítima de delimitar períodos fixos, e
embalsamar viva a manifestação livre do espírito que se apresenta
exuberante aos olhos dos que caminham livres por esta Terra, pois ela
não possui donos, não possui idiomas, nem um só destino preferível.




Contemporâneo até quando? | Estúdio Fonseca Monoart
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...