Alegrias e Dores

Alegrias e Dores




Evitar ou fugir das dores e valorizar ou exaltar as alegrias não é ser hedonista; é natural, é humano.  Desde que não exageremos.  Mas não podemos esquecer que, o contrário, valorizar e exaltar as dores e evitar ou fugir das alegrias é fanatismo e/ou masoquismo.  Os dois extremos são negativos...
Mortificar a carne para a beatificação do espirito foi, durante muito tempo, valorizado pela sociedade que não tinha a laicidade como norte do cotidiano.  Desde meados da Idade Média num ápice, nesse sentido, até mais ou menos a Revolução Industrial quando essa valorização decaiu.  Hoje temos o hedonista como exemplo; as sensações de prazer em todos os lugares são os objetivos maiores de grande parte das pessoas.  O pêndulo foi para o outro lado.  Somos permissivos em excesso segundo muitos religiosos e, segundo alguns iluminados somos também “frágeis em demasia” ou até “patifes”, não aguentamos sequer 5 minutos de silêncio para meditação.  Nossa cabeça começa a coçar, estranhamos a posição do lótus – ou qualquer outra posição – nos lembramos de mil e uma coisas e tarefas que temos que realizar, nossa boca fica seca, enfim, tudo corrobora para que não consigamos meditar.  E comemos carne em profusão, fumamos, bebemos e nos enchemos de violência nas telas da TV e da internet.  Ou ainda, cuidamos de nossos corpos como se fossemos apenas isto, corpos, exaltando formas esculturais em horas de musculação ou práticas excessivas de exercícios que não nos deixam tempo para a oração ou para a meditação.
No entanto, não tem que ser assim...  O correto equilíbrio do cotidiano entre permitir-se e regrar-se é um alvo tão distante quanto próximo, dependendo apenas da nossa concepção de vida. Se tivermos um conceito fora da elevação de mente, fora da consciência de alma, certamente iremos cair em uma dessas armadilhas mais facilmente do que quem possui afinidade com estados elevados e com estados de consciência. Por isto, é uma virtude saber o tempo certo para cada atividade, desde a descontração em frente à TV até o recolhimento para reflexão ou meditação.
Alegrias e dores são ambas necessárias.  Se estiver sofrendo é o que precisa.  Se estiver alegre é o que precisa.  Cada momento precisa de nós em determinado clima, em determinado sentimento, em determinada ação.  Aceitar isto é saber que a existência nos dá tudo o que precisamos a cada momento, nem um instante a mais e nem um instante a menos.
Que saibamos estar em sintonia com essa habilidade dos sábios: reconhecer o momento e aceitá-lo como parte da infinita orquestração cósmica do divino.  Aproveitemos o momento e tiremos dele algo que possa ser positivo para a nossa vida, seja esse momento o que for.  Paz e luz.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)


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