As 20 principais regras para escrever, segundo Stephen King

Seja você um fã
inveterado ou não da obra do escritor Stephen King, o fato é que o
americano é um dos mais prolíficos, importantes e bem sucedidos autores
de todos os tempos. Com mais de 50 romances, 6 livros de não-ficção,
mais de 200 contos, mais de 60 filmes adaptados a partir de suas
histórias (tendo vendido ao todo mais de 350 milhões de livros), Stephen
King entende uma coisa ou outra sobre escrever.
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Nesse mar de publicações, entre clássicos como Carie, a Estranha, O Iluminado, Um Sonho de Liberdade, It – A Coisa, Conta Comigo e À Espera de um Milagre, entre muitos outros, um dos mais interessantes livros de King é justamente Sobre a escrita (On Writing), uma espécie de memória profissional e manual do escritor, publicado em 2000.
Dele foi possível retirar 20 regras
máximas seguidas por King, que se aplicam não só aos que desejam se
tornar escritores, mas também a vida de qualquer um. Aqui vão elas, nas
palavras do próprio autor:
  1. Primeiro escreva pra você, depois se preocupe com o público
“Quando você escreve uma história, você
está contando essa história pra você. Quando você a reescreve, sua
principal tarefa é jogar fora tudo que não for a história”.
  1. Não use a voz passiva
“Escritores tímidos gostam da voz
passiva pelo mesmo motivo que amantes tímidos gostam de parceiros
passivos. A voz passiva é segura. O tímido escreve ‘a reunião acontecerá
às sete horas’, porque isso de alguma forma isso lhe diz, ‘Coloque
dessa forma e as pessoas acreditarão que você realmente sabe’. Coloque
os ombros pra trás, levante o queixo, e faça essa reunião acontecer!
Escreva ‘a reunião é às sete’. Pronto! Não se sente melhor?”
  1. Evite advérbios
“O advérbio não é seu amigo. Considere a
frase ‘Ele fechou a porta firmemente’. Não é de forma alguma uma frase
horrível, me questione a você mesmo se ‘firmemente’ realmente precisa
estar lá. E o contexto? E toda a inspiradora (pra não dizer
emocionalmente tocante) prosa que veio antes da frase? Não seria isso
que deveria nos dizer de que forma ele fechou a porta? E se a prosa
precedente realmente diz, não seria ‘firmemente’ uma palavra sobrando?
Não seria redundante?”
Writer - Scrittore
  1. Evite advérbios, especialmente depois de ‘Ele disse’ e ‘Ela disse’
“Enquanto escrever advérbios é humano, escrever ‘ele disse’ e ‘ela disse’ é divino”
  1. Mas não fique obcecado pela perfeição gramatical
“A linguagem não precisa sempre usar
gravata e sapatos amarrados. O objeto da ficção não é a correção
gramatical, mas sim fazer o leitor se sentir bem vindo e contar uma
história. Fazer ele ou ela esquecer, sempre que possível, que ele ou ela
estão lendo uma história”.
Cena do filme 'O Iluminado' Cena do filme ‘O Iluminado’


  1. A mágica está em você
“Estou convencido de que o medo é a raiz
da maior parte das escritas ruins. Dumbo conseguiu voar com a ajuda de
uma pena mágica; você pode sentir o desejo de usar um verbo passivo ou
um desses péssimos advérbios pelo mesmo motivo. Antes de faze-lo apenas
se lembre que o Dumbo não precisava da pena; a mágica estava nele.”
  1. Leia, leia, leia
“Você precisa ler amplamente, refinando e
redefinindo constantemente seu próprio trabalho enquanto o faz. Se você
não tem tempo para ler, você não tem tempo (ou as ferramentas) para
escrever.”
Cena do filme 'Conta Comigo' Cena do filme ‘Conta Comigo’


  1. Não se preocupe em fazer outras pessoas felizes
“Ler durante refeições é considerado
grosseria em sociedades educadas, mas se você pretende ser bem sucedido
como escritor, grosseria deve ser sua penúltima preocupação. A última
deve ser uma sociedade educada e o que ela espera. Se você pretende
escrever tão verdadeiramente quanto pode, seu dias como membro de uma
sociedade estão contados, de todo jeito.”
  1. Desligue a TV
“A maioria dos recintos são equipadas
com TV, mas a TV – enquanto se está escrevendo ou em qualquer outro
lugar – é realmente a última coisa que um escritor precisa. Se você
sente que precisa de um analista político falando com você enquanto
escreve, ou um economista ou um comentarista esportivo, então é hora de
se questionar sobre o quão sério é seu desejo de escrever. Você tem de
estar preparado para se atirar seriamente na interioridade, na direção
do mundo da imaginação. E isso quer dizer que os apresentadores de TV
precisam ir embora. Ler nos toma tempo, e a TV rouba muito desse tempo.”
Cena do filme 'Carrie, a estranha' Cena do filme ‘Carrie, a estranha’


  1. Você só tem três meses
“A primeira versão de um livro – mesmo
um livro longo – não deve demorar mais de três meses para ser escrita,
que é a duração de uma estação do ano.”
  1. Existem dois segredos para o sucesso
“Quando me perguntam pelo ‘segredo do
meu sucesso’ (uma ideia absurda, mas impossível de ser abandonada), eu
às vezes digo que são dois: permanecer fisicamente saudável, e
permanecer casado. É uma boa resposta porque faz a pergunta original
desaparecer, e porque há certo elemento de verdade nela. A combinação de
um corpo saudável e uma relação estável com uma mulher autoconfiante
que não tolera besteiras nem minhas nem de ninguém fez a continuidade do
meu trabalho possível. E eu acredito que a recíproca é verdadeira: que
minha escrita e o prazer que sinto contribuíram para a estabilidade da
minha saúde e da minha vida em casa.”
  1. Escreva uma palavra de cada vez
“Um apresentador uma vez me perguntou
como eu escrevo. Minha resposta – ‘uma palavra de cada vez’ – o deixou
sem resposta. Acho que ele não soube dizer se era ou não uma piada. Não
era. No fim, é simples assim. Seja uma página simples ou uma trilogia
época como ‘O Senhor dos Anéis’, o trabalho é sempre realizado uma
palavra de cada vez”.
Cena do filme 'Louca Obsessão' Cena do filme ‘Louca Obsessão’


  1. Elimine as distrações
“Não deve haver telefone no seu local de
escrita, certamente não deve haver TV ou videogame pra você se
distrair. Se tiver uma janela, feche as cortinas”.
  1. Atenha-se ao seu estilo
“Ninguém pode imitar a maneira peculiar
de um autor de se aproximar de determinado gênero, ainda que possa
parecer a coisa mais simples. Pessoas que decidem fazer fortuna
escrevendo como outro autor não produzem nada além de imitações pálidas,
em sua maioria, porque vocabulário não é a mesma coisa que o sentimento
e a verdade compreendida pelo coração e pela mente.”
  1. Procure
“Em uma entrevista eu disse que
histórias são como coisas encontradas, como fósseis enterrados no chão, e
o entrevistador disse que não acreditava em mim. Eu disse que tudo bem,
contanto que ele acreditasse que eu assim acreditava. E acredito.
Histórias não são como camisetas ou videogames, são como relíquias,
parte de um mundo pré-existente não descoberto. O trabalho do escritor
ou da escritora é usar as ferramentas que possuem em sua caixa de
ferramentas para retira-las tão intactas quanto possível. Às vezes o
fóssil que você encontra é pequeno; uma concha. Às vezes é enorme, um
Tiranossauro Rex com suas costelas gigantes e dentes enormes. De
qualquer forma, contos ou romances de mil páginas, a técnica de
escavação é a mesma.”
Cena do filme 'Um Sonho de Liberdade' Cena do filme ‘Um Sonho de Liberdade’


  1. Dê um tempo
“Se você nunca fez isso antes, ler seu
próprio livro depois de seis semanas de descanso será uma experiência
estranha. É seu, você vai reconhecer como sendo seu, até se lembrará
qual a música que estava tocando quando escreveu certo trecho, e ainda
assim será como ler o trabalho de outra pessoa, um irmão de alma,
talvez. É assim que deve ser, a razão pela qual você deu um tempo. É
sempre mais fácil frustrar os desejos de outra pessoa do que os seus
próprios.”
  1. Deixe de fora as partes chatas e ‘mate suas queridinhas’
“Sempre que penso em ritmo, eu volto a
Elmore Leonard, que explicou isso perfeitamente, dizendo que ele
simplesmente deixava de fora as partes chatas. Isso sugere cortar para
dar velocidade ao ritmo, e é o que a maioria acaba fazendo.”
  1. A pesquisa não pode eclipsar a história
“Se você precisa realizar uma pesquisa
porque partes da sua história lidam com coisas que você sabe pouco ou
nada sabe, lembre-se do termo ‘pano de fundo’. É nele que a pesquisa
deve estar: tão ao fundo ou como pano de fundo da história quanto
possível. Você pode estar arrebatado pelo que aprendeu a respeito da
bactéria carnívora, o sistema de esgotos de Nova Iorque ou a
inteligência dos cachorrinhos Collie, mas seus leitores provavelmente se
importarão mais com seus personagens e sua história.”
Stephen King
  1. Você se torna um escritor simplesmente lendo e escrevendo
“Você não precisa de cursos de escrita
ou seminários mais do que precisa desse ou daquele livro sobre escrita.
Faulkner aprendeu seu estilo enquanto trabalhava nos correios da cidade
de Oxford, no Mississippi. Outros autores aprenderam o básico enquanto
estavam na marinha, trabalhando em fábricas ou na cadeia. Eu aprendi o
mais valioso (e comercial) aspecto do meu trabalho de vida enquanto
lavava lençóis de motel e toalhas de mesa de restaurantes em uma
lavanderia em Bangor. O melhor aprendizado é ler muito e escrever muito,
e as lições mais importantes são as que você ensina a si mesmo.”
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  1. Escrever tem a ver com ficar feliz
“Escrever não tem a ver com ganhar
dinheiro, ficar famoso, conquistar pessoas, transar ou fazer amigos. No
fim, tem a ver com enriquecer a vida dos que lerão seu trabalho, e
enriquecer a própria vida também. Tem a ver com se levantar, ficar bem, e
terminar. Ficar feliz, ok? Escrever é mágico, é a Água da Vida tanto
quanto qualquer outra arte criativa. A água é de graça. Então beba.”
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© fotos: divulgação






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