Como o esquerdismo está prejudicando a venda de HQs


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Por Darin Wagner [*]


Se assim como eu você é
um conservador, você leu cada vez menos HQs nos últimos 12 anos. Para
aqueles que sabem do que estou falando, a visita semanal ao jornaleiro
se tornou um exercício irritante ou um passeio monótono.
Abra
uma revista em quadrinhos do seu super-herói favorito da infância, na
esperança de reavivar aquela magia que você sentiu no passado e você
verá logo na seqüência de abertura se tratar de um desastre em uma
plataforma petrolífera. Você sabe o que vai ser dito de imediato e se
decepciona, seja pelo seu super-herói favorito de infância ou por algum
outro personagem para dar credibilidade à história. Você vira a página, e
com certeza, o seu super-herói favorito de infância resmunga sobre a
dependência de seu país do petróleo ou do quanto
a
perfuração de petróleo é inerentemente perigosa para o meio ambiente e
de como isso não vale a pena ou simplesmente murmura baixinho para si
mesmo sobre os males da indústria americana. É nessa hora que você põe
de volta a revista na prateleira e seu jornaleiro perde uma venda. (Soa
familiar?
O Dia Mais Claro Nº 3 continha um cenário semelhante com o Aquaman.)
Abra
outra revista em quadrinhos de uma equipe de super-heróis que você
costumava ler assiduamente na qual haja um membro da equipe que
compartilhe muitos dos mesmos pontos de vista sócio-político que você
têm, mas ele não é muito bem articulado (pelo design, posso lhe dizer) e
faz tudo errado (novamente, pelo projeto) e você percebe que ele é o
“idiota da equipe” precisamente
porque ele está ali supostamente para representá-lo. (Outro exemplo O Dia Mais Claro Nº 4 onde o Rapina [criação de Steve Ditko] diz ter destruído a juke box de um restaurante por ter tocado uma música do Dixie Chicks.
O Rapina foi criado para representar o conservadorismo durante a Guerra
do Vietnã, mas hoje ele é, aparentemente, um homem das cavernas
imprudente que não entende o conceito de conservadorismo a respeito dos
direitos de propriedade privada.) Então você coloca essa revista em
quadrinhos de volta na prateleira e caso não tenha ido embora até agora,
você tem certeza de que irá passar por pelo menos mais três
experiências como esta antes de encontrar uma história em quadrinhos de
super-herói que é, na melhor das hipóteses, menos politizada.
sh 05Vemos
isso o tempo todo, não é? A Canário Negro acabou de fazer um comentário
sobre a suposta insegurança das SUVs enquanto perseguia um bandido em
uma das páginas de
Birds Of Prey. Já a editora Marvel, nas páginas da Alpha Flight,
um canadense estaciona o carro em frente ao hidrante ao tentar votar e
ganha uma multa por isso. O homem acusa a policial (o alter ego de
Snowbird
) de supressão do direito ao voto e de estar “assediando os patriotas
que estão tentando mudar as coisas”… ao que ela responde “Por favor,
senhor.
Somos canadenses.”
Isso ainda se estende
dos quadrinhos para a animação. No episódio da série animada Liga da
Justiça “Paraíso Perdido,” O Superman e a Mulher-Maravilha estão
investigando um shopping center. A Mulher Maravilha olha para o interior
do shopping e compara-o a um templo. O Superman responde: “Sim, para
aqueles que veneram os seus cartões de crédito.” Agora, o que devemos
fazer com isso? O Superman claramente não tem grande estima por shopping
centers, no mínimo. (Isto é estranho, considerando que o personagem já
simbolizou algo chamado de “estilo de vida americano,” que foi
consagrado, entre outras coisas, pelo capitalismo.)
Mas voltando aos
quadrinhos. Óbvio que de forma individual este morde e assopra não é
algo que se possa ignorar… pois têm um efeito cumulativo. Eles nos
desgastam e, eventualmente, a emoção e magia dos super-heróis dos
quadrinhos deterioram-se pela irritação que nos causam. Isso ocorreu
cada vez mais ao longo dos últimos doze anos: As pessoas por trás das
cenas deixam suas posições políticas pessoais infectarem as histórias de
super-heróis, as quais em outro tempo já foram apolíticas e cujas
aventuras eram destinadas ao entretenimento de qualquer pessoa. Este fim
em si mesmo não seria tão ruim se não fossem sempre as mesmas opiniões
políticas repetidas ad nauseum.
Colocando de uma forma simples, as HQs de hoje exalam esquerdismo de uma forma gritante.
Uma coisa que aqueles
que discordam (a maioria dos quais invariavelmente autodenominam-se de
“progressistas”) irão dizer é que não há conservadorismo nas histórias
em quadrinhos porque os super-heróis são inerentemente
conservadores. Ao dizer isso, eles dão a entender que estão, de fato,
equilibrando o jogo ao colocar esses personagens a proferir com bastante
freqüência gracejos e adágios esquerdistas. Tenho de discordar disso. O
primeiro super-herói de quadrinhos, Superman, enfrentou a agenda
esquerdista nas suas primeiras histórias. O personagem só se tornou um
símbolo de autoridade jurídica posteriormente. A maioria dos
super-heróis, pode-se argumentar, são apolíticos em virtude da
capacidade do leitor de inserir sua própria visão política no personagem
quando o escritor não o tenha feito. Mesmo o Arqueiro Verde poderia ser
um personagem conservador, ao invés de um esquerdista como o conhecemos
desde Hard Traveling Heroes.
Flash_Green_Lantern_Brave_and_the_Bold_4Agora, você pode dizer: “Darin, obviamente você não sabe que o Arqueiro Verde é baseado em Robin Hood e como todo mundo sabe, Robin Hood roubava dos ricos para dar aos pobres. Ele seria um Black Bloc nos dias de hoje. “Bem, é assim que os esquerdistas vêem Robin Hood… mas se você analisar a fundo o Robin Hood
você descobrirá que o personagem devolvia ao povo o dinheiro que lhe
foi roubado pelo estado… então alguém poderia facilmente dizer que Robin Hood seria um Tea Partier nos dias atuais e, portanto, o Arqueiro Verde também poderia ser.
Gente, eu sei que os
quadrinhos são criados por artistas. Eu sei que os escritórios da Marvel
e da DC estão em Nova York. Percebi antes de começar a escrever este
artigo que pedir por conservadorismo autêntico nas histórias em
quadrinhos tanto da DC quanto da Marvel para combater os ataques
constantes, referências, sarcasmo e o estereótipo que impõe é como pedir
aos indigentes para deixar o lixo em paz. Eu entendi…
…mas para o bem da
indústria dos quadrinhos, a ascensão e hegemonia do sentimentalismo
esquerdista devem ter um fim e esse fim deve ser imediato.
Qualquer um sabe que
quando uma forma de entretenimento fica politizada, há um sério risco de
sua audiência cair no mínimo à metade. O público leitor de HQs tem
minguado progressivamente e está mais do que na hora da indústria levar
em consideração que grande parte do problema é o conteúdo. A situação se
agravou a tal ponto que alguns dos esquerdistas, com mente aberta, que
são leitores assíduos de HQs estão abandonando o hábito porque o que tem
ocorrido é óbvio. Sei que alguns de vocês irão objetar o que aqui foi
exposto com variações de “eu não vejo dessa forma” ou “esse cara está
trolando” ou “cale a boca.” Tudo bem, vá em frente e exerça seu direito…
mas isso não ajudará a indústria dos quadrinhos ou fazer o público se
expandir novamente.


[*] Darin Wagner. “How Liberalism May Be Hurting Comic Book Sales”. Bleeding Cool, 5 de Janeiro de 2012

Tradução: Rodrigo Carmo
Revisão: Flávio Ghett

fonte: Como o esquerdismo está prejudicando a venda de HQs – Tradutores de Direita

Comentários

Mauricio Duarte disse…
Muito boas suas colocações. E muito embora eu não seja conservador e nem esquerdista, apreciei muito a sua explanação. Porque o verdadeiro quadrinho está acima de toda vertente ideológica e/ou político e filosófica. O verdadeiro quadrinho é atemporal. Está alicerçado no corte espaço/tempo que se dá de um requadro para outro requadro, no qual o leitor pode (e precisa) imaginar o que ocorre de um instante para o outro, ou de um espaço para o outro ou os dois. Até por isso que quadrinhos tão díspares quanto Arzach (Moebius), O bebê de Valentina (Crepax) e Sin City (Frank Miller) podem ser colocados lado a lado quanto à essa linguagem quadrinhística que é puramente quadrinhos, diferente de desenho animado, cinema e outras linguagens. Desse modo, colocar frases "anarquistas" ou "socialistas" na boca de super-heróis é forçar à barra para dizer o mínimo. Os quadrinhos não precisam disso, nem os altos níveis de quadrinho nem o quadrinho de puro entretenimento.

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