Animação brasileira cresce, mas ainda precisa de incentivo do governo

Mercado ganhou fôlego nos últimos anos e exige profissionais qualificados

Felipe Tavares Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) (Foto: Divulgação)Felipe Tavares, presidente da Associação
Brasileira de Cinema de Animação, traça
panorama do mercado (Foto: Divulgação)
Há tempos ver desenho deixou de ser uma atração apenas para as crianças. A animação se transformou em uma indústria e hoje atrai milhares de profissionais, que sonham em dar vida para suas histórias. Só a última edição do festival Anima Mundi contou com 421 filmes de 44 países. O Brasil compareceu com 77 produções. A trajetória de sucesso de animadores brasileiros como Carlos Saldanha, que conquistou o público nacional e internacional com a animação "Rio", é um incentivo para os jovens desenhistas, que podem escolher entre uma gama variada de opções de trabalho.

“O mercado está explodindo. Basta dar uma olhada nas grades de programação da TV. Existe também uma demanda grande na área de jogos, além de criação de projetos para dispositivos móveis, sites e softwares interativos. Algumas escolas já estão adotando os tablets. O MEC tem o projeto de um computador por aluno, o UCA. Isso tudo é ótimo para quem trabalha com animação”, explica o professor Francisco Marinho, do Departamento de Fotografia, Teatro e Cinema da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A universidade criou em 2009 o primeiro curso de graduação em Animação do Brasil, onde os alunos aprendem diversas técnicas como 2D, 3D e Stop Motion, e podem escolher entre a habilitação em Animação ou em Artes Digitais.

Segundo Felipe Tavares, presidente da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), a demanda é grande, porém, ainda faltam profissionais especializados e mais escolas. “Se queremos ter uma indústria brasileira de animação, precisamos qualificar os profissionais. Existem alguns cursos, como na UFMG; na Universidade Veiga de Almeida, no Rio; na Universidade de Pelotas, no Sul, mas ainda é pouco. Um bom animador ganha em média entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, mas isso depende do projeto. Antes de tudo, ele tem que saber desenhar e construir as expressões, combinar cores, entender o conceito. Só depois disso é que pega nos softwares de animação. Engana-se quem acredita que animação é só no computador”, explica Tavares.

Nos últimos três anos o mercado da animação ganhou mais fôlego, por conta das coproduções com o exterior e do apoio (incipiente) do governo brasileiro. “A coprodução foi a maneira encontrada pelos animadores para viabilizar os projetos. Em 2008, a criação do Anima TV, programa de incentivo do governo para o setor de animação, foi uma ótima iniciativa. Dos 257 projetos inscritos, foram selecionados 17, que receberam R$ 110 mil para fazer uma animação de 11 minutos. Após a exibição dos pilotos na programação da TV Cultura de 25 a 30 de janeiro de 2010, dois projetos foram selecionados para a assinatura de um novo contrato no valor de R$ 950 mil, que prevê a produção de mais 12 episódios. Os produtores e autores também participaram de oficinas com consultores nas áreas de Narrativa, Arte, Produção e Comercialização”, conta Tavares.

Com a troca de governo, porém, o processo de incentivo para a animação brasileira parou, lamenta o presidente da ABCA. “O retorno que temos no momento é que está havendo uma reestruturação. Ainda é muito caro fazer animação. Uma série para TV custa cerca de 6 ou 7 milhões de dólares. E o cinema ainda é mais caro do que isso. Ainda precisamos do governo para consolidar nossa indústria, até conseguirmos a independência. O curta-metragem é a janela de exibição do conteúdo brasileiro, esse processo não pode parar. Estamos torcendo para que os apoios voltem a acontecer o mais rápido possível”, completa.
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