Bandeiras da fé

Folias de Reis se despedem das festas de Natal e dão início às homenagens a
São Sebastião. No interior, tradição se renova
Gustavo Werneck Renato Weil/EM

Caravana dos Santos Reis, em BH, prepara festa e procissão para hoje

Os pés ainda não se cansaram, as mãos mantêm o ritmo vigoroso e as músicas enchem o ar de reverência e alegria. Depois da longa temporada de festas natalinas, com visitas aos presépios, as Folias de Reis continuam sua peregrinação pela capital e pelo interior, trazendo, desta vez, na bandeira e na voz, uma homenagem diferente. Até o dia 20, quando se comemora o Dia de
São Sebastião, as caravanas saem às ruas para saudar o santo que protege contra a fome, a peste e a guerra. Em Belo Horizonte e São João del-Rei, no Campo das Vertentes, gente de todas as idades, com instrumentos e roupas coloridas, faz crescer o encantamento pela tradição que nasceu em Portugal, no século 13, e se mantém cada vez mais viva em Minas Gerais, onde há cerca de 2 mil grupos.

Hoje, a partir do meio-dia, mais de 50 folias se encontram na Escola Municipal Maria do Amparo, no Bairro Industrial, em Contagem, na Grande BH - a festa, na sua 26ª versão, acontece sempre uma semana depois do Dia de Reis. Pela manhã, na capital, a Caravana dos Santos Reis, do Bairro Alto dos Pinheiros, vai percorrer o Bairro Jardim Alvorada, na Região Noroeste, para cantar nas casas que estiveram abertas, de portas e coração, para recebê-la.
O coordenador Geraldo Antônio da Silva explicou que, historicamente, a folia se encerra em 2 de fevereiro, Dia de Nossa Senhora das Candeias, fechando o ciclo da viagem de Gaspar, Belchior e Baltazar ao encontro do Menino Jesus.

Integrante desde criança dessa manifestação cultural e religiosa ligada às irmandades de Nossa Senhora do Rosário, Manoel Fonseca dos Reis, presidente do Centro de Tradições do Rosário no Estado Maior de Minas Gerais, diz que domingo que vem haverá mais festa. "Será na Igreja de São Sebastião, no Barro Preto, na Região Centro-Sul de BH. Teremos missa, barraquinhas,
bênçãos e procissão."

Em São João del-Rei, os grupos não param de crescer - já são 13 -, informa o dentista, folclorista e pesquisador Ulisses Passarelli, de 35, que sai à frente de um deles, criado em 1981. Cada grupo recebe o nome do organizador ou do bairro de onde vem. "É uma tradição que não vai morrer. Cada um vive com os seus próprios recursos, sem patrocínio, às vezes contando com apoio da Secretaria Municipal de Cultura para o transporte", observa.

No estado, não há um número exato das folias e pastorinhas, variando de 1,5 mil a 2 mil. O Centro de Tradições do Rosário fará um cadastramento de todos os grupos, informa Manoel dos Reis. Sem patrocínio, devido ao seu caráter religioso e devocional, "as folias receberam, no entanto, o entendimento da Igreja Católica de que retratam a religiosidade popular, sendo incorporadas à liturgia", diz.

RETORNO
Em Ipoema, distrito de Itabira, na Região Central de Minas, a comunidade quer ressuscitar a folia, diz a diretora do Museu do Tropeiro, Eleni Cássia Vieira. "No Dia de Reis, a visita do grupo de Caxambu, distrito de Rio Piracicaba, despertou o interesse na volta dos nossos foliões. Para
reativar o grupo, só precisamos de instrumentos. Tocador é o que não falta", afirma.

Um dos mais antigos grupos de Santa Luzia, na Grande BH, também quer voltar às ruas. O problema é a falta de "moças e rapazes" para integrar o grupo fundado há mais de 50 anos e hoje coordenado por Cleusa Rodrigues. "Estamos há oito anos parados e ansiosos para cantar nas casas. Já ganhei três pandeiros novos", diz.

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Em São Gonçalo das 13 Bandeiras no passado, restam apenas 4 atualmente...

Comentários

Anônimo disse…
parabens pelo blog...
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